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O pecado contra o Espírito Santo

(Mc 3,30-35)

10º Domingo do Tempo Comum

Existe um tipo de pecado para o qual não haverá perdão. É o pecado contra o Espírito Santo. Em que consiste esta gravidade para torna-lo imperdoável? Desde o seu batismo, Jesus foi apresentado pelo Pai como seu Filho, a quem se devia dar ouvido. Foi, também, constituído mediador da salvação divina oferecida a toda a humanidade. Suas palavras e ações, porém, tinham como princípio dinamizador o Espírito Santo, poder de Deus atuando nele, manifestado já por ocasião do batismo.

Portanto, a atitude de seus parentes, que o acusava, de louco ao ver as multidões acorrerem a ele, e a interpretação dos mestres da Lei, para os quais o Mestre agia pelo poder de Belzebu, chocava-se com a realidade de sua ação divina. Tudo isto significava negar que o Espírito Santo agia através de Jesus, atribuindo ao demônio o que pertencia a esse mesmo Espírito. Eis uma autêntica blasfêmia!

As acusações contundentes contra Jesus manifestam um fechamento à ação do Espírito Santo. Assim como Jesus agia por esta força divina, do mesmo modo só quem se deixa iluminar pelo Espírito pode percebê-la. Quem se fechar ao Espírito, torna-se incapaz de discernir a manifestação da misericórdia de Deus, em Jesus. Fechar-se para este, portanto, significa fechar-se para Deus e, por conseguinte, tornar-se indigno de perdão.

Precisamos da força curadora do Espírito

O homem contemporâneo está acostumando a viver sem responder a questão mais vital de sua vida: por que e para que viver? A coisa mais grave é que, quando a pessoa perde todo contato com sua própria interioridade e mistério, a vida cai na trivialidade e na falta de sentido.

Vive-se então de impressões, na superfície das coisas e dos acontecimentos, desenvolvendo apenas a aparência da vida. Esta trivialização da vida é provavelmente a raiz mais importante da falta de fé de não poucos. Quando o ser humano vive sem interioridade, perde o respeito pela vida, pelas pessoas e pelas coisas. Mas, sobretudo, perde a capacidade de “escutar” o mistério que encerra no mais profundo da existência. O homem de hoje resiste à profundidade. Não está disposto a cuidar de sua vida interior. Mas começa a sentir-se insatisfeito: intui que precisa de algo que a vida de cada dia não lhe proporciona. Nessa insatisfação pode estar o começo de sua salvação.

O grande teólogo Paul Tilich dizia que só o Espírito pode ajudar-nos a descobrir novamente “o caminho da profundidade”. Pelo contrário pecar contra esse Espírito Santo seria “carregar nosso pecado para sempre”.  O Espírito pode despertar em nós o desejo de lutar por algo mais nobre e melhor do que o trivial de cada dia. Pode dar-nos a audácia necessária para iniciar em nós um trabalho interior.

O Espírito pode fazer brotar uma alegria diferente em nosso coração, pode vivificar nossa vida envelhecida; pode acender em nós o amor inclusive para com aqueles pelos quais não sentimos hoje o menor interesse. O Espírito é “uma força que atua em nós e que não é nossa”. É o próprio Deus inspirando e transformando nossa vida. Ninguém pode dizer que não está habitado por esse Espírito. O importante é não apaga-lo, avivar seu fogo, fazer com que arda purificando e renovando nossa vida. Talvez precisemos começar invocando a Deus com o salmista: “Não afastes de mim teu Espírito”.

Façamos nossa oração:

Senhor Jesus, ajuda-nos a reconhecer a ação do Espírito em ti e a perceber a misericórdia do Pai atuando por teu intermédio. Amém.

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