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Os portões do inverno

Cada vez que o outono começa a Natureza  abre os portões do inverno, de  modo suave, gentil e belo. Tudo para lembrar que os delicados tempos invernais estão convidados a se achegar. Os arvoredos empalidecem suas cores para preservar os impactos visuais de quem acorda, e os passarinhos trocam o alarido de suas alegrias por acalantos perfeitamente afinados com o carinho que os envolve.

Então, suave som, pesado em afeto e meio triste, envolve nossa terra da mesma forma que envolveu quem nos colocou  aqui para cuidar dos benignos dons que Deus concedeu a Gramado. E nossa imaginação transfere para as almas de hoje as mesmas cristalinas emoções que devem ter feito brotar na alma deles.

O sonolento inverno que contempla a paisagem que o outono lhe mostra, tem nele podido repetir o mesmo orgulho de sempre, renovado já há mais de cem anos. Os roçados, que pintavam de ouro o interior do nosso município hoje estão pintados de verde, subindo e descendo pelas nossas montanhas ou guardando água no silêncio de seus vales serenos.

Vê também, uma cidade moderna submetida a cuidados conflitantes, repetindo o espírito exigente que serviu de argamassa para a construção de sua grandeza. Um povo comprometido com a qualidade do que é posto sobre o chão que o sustenta, inventando mecanismos de proteção que, às vezes, parecem excrecências de gente soberba.     

Um povo que luta com límpido entusiasmo por questões comunitárias que a muitos parecem triviais: mas é, justamente, a soma da dedicação a esses assuntos triviais que define o retrato da maior pequena cidade do Brasil. Além disso, benfeitores de nossa grandeza, não cansam de brigar entre si, cada qual acreditando que é a sua ideia, a melhor para Gramado.

Os portões do inverno são abertos em todas as partes, permitindo que o inverno enxergue as diferenças entre um e outro pedaço do Brasil. E temos certeza de que no esmerado juízo dele, Gramado, curvado ao peso dos elogios de sempre, não está fazendo feio.

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