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Não peques mais!

5º Domingo do Tempo da Quaresma

(Jo 8,1-11)

            Os inimigos de Jesus viviam criando armadilhas para pegá-lo, mas eles mesmos é que acabavam caindo nelas. Não tendo motivos plausíveis para condená-lo, buscavam, inutilmente, uma deixa para leva-lo às barras do tribunal.

            O confronto com a mulher surpreendia em flagrante adultério não deixou Jesus embaraçado. Seus adversários, tão espertos para flagrar o pecado alheio, não foram capazes de esconder de Jesus os próprios pecados. Afinal, não é a mulher a grande pecadora, e sim, os escribas e fariseus que a acusavam. Não só: estes, quanto mais velhos, mas se encontravam atolados no pecado. A idade não os levou a amadurecer na virtude. Pelo contrário, cresceram na maldade e na malícia. Consequentemente, faltava-lhes moral para acusar aquela pobre mulher.

            A exortação final que o Mestre lhe dirigiu – “Não peques mais!” – aplica-se perfeitamente bem aos seus inimigos. Estes intencionavam pôr Jesus à prova. Mostraram-se impiedosos com uma mulher, de cuja fraqueza se prevaleceram. Quiseram parecer honestos, quando, na verdade, viviam no pecado, uma vez que se insurgiram contra o enviado do próprio Deus. Antes de mais ninguém, eles é que deveriam converter-se. A única coisa boa que fizeram foi colocar a pecadora em contato com o coração misericordioso de Jesus.

É preciso mudar

            Todos esperam que Jesus se some à rejeição geral daquela mulher surpreendida em adultério, humilhada publicamente, condenada por escribas respeitáveis e sem defesa possível diante da sociedade e da religião. Mas Ele desmascara hipocrisia daquela sociedade, defende a mulher da perseguição injusta dos varões e a ajuda a iniciar uma vida mais digna. A atitude de Jesus diante da mulher foi tão “revolucionária” que, depois de vinte séculos, continuamos em boa parte sem querer entendê-la nem assumi-la.

 O que podemos fazer em nossas comunidades cristãs?

  1. Em primeiro lugar atuar com vontade de transformar a Igreja. Temos que sonhar com uma Igreja diferente, comprometida como ninguém em promover uma vida digna, justa e igualitária entre homens e mulheres.
  2. Temos que tomar consciência de que nossa maneira de entender, viver e imaginar as relações entre homem e mulher nem sempre provém do Evangelho. Somos prisioneiros de costumes, esquemas e tradições que não têm sua origem em Jesus, pois levam ao domínio do homem e à subordinação da mulher.
  3. Temos que eliminar já da Igreja visões negativas da mulher como “ocasião de pecado”, “origem do mal”, ou “tentadora do homem”. Desmascarar teologias, pregações e atitudes que favorecem a discriminação ou desqualificação da mulher. Tudo isto simplesmente não contém “Evangelho”.
  4. Temos que romper o inexplicável silêncio que há em não poucas comunidades cristãs diante da violência doméstica que fere os corpos e a dignidade de tantas mulheres. Nós cristãos não podemos viver de costas a uma realidade tão dolorosa e frequente. O que não gritaria Jesus hoje?
  5. É preciso reagir contra a “cegueira” generalizada dos homens, incapazes de captar o sofrimento injusto a que se vê sujeita a mulher, só pelo fato de ser mulher. Em muitos setores é um sofrimento “invisível” que não se conhece ou não se quer reconhecer. No Evangelho de Jesus há uma mensagem particular, dirigida aos homens que ainda não escutamos nem anunciamos com fidelidade. 

Jesus o único que não condena.

É surpreendente a atuação de Jesus, pois é o único que não condena. Quem conhece quanta obscuridade reina no ser humano e como é fácil condenar os outros para assegurar a própria tranquilidade, sabe muito bem que nessa atitude de compreensão e de perdão adotada por Jesus, inclusive contra o que prescreve a lei, há mais verdade do que em todas as nossas condenações ressentidas.

            Na atitude de Jesus, o homem de fé descobre o rosto verdadeiro de Deus e ouve uma mensagem de salvação que se pode resumir assim: “Quando não tiveres ninguém que te compreenda, quando todos te condenem, quanto te sintas perdido e não saibas a quem recorrer hás de saber que Deus é teu amigo, Ele está do teu lado. Deus entende tua fragilidade e teu pecado”. Essa é a melhor notícia que todos podíamos ouvir. Onde acaba a compreensão dos seres humanos, continua firme a compreensão infinita de Deus. Diante de tantas condenações fáceis, Jesus nos convida a não condenar friamente os outros, partindo da pura objetividade de uma lei, mas compreendê-los a partir de nossa própria conduta pessoal. O que a mulher adúltera precisava não era de pedras, mas de uma mão amiga que a ajudasse a levantar-se. Jesus a entendeu.

Façamos nossa oração:

Espírito de compaixão, lava nosso coração de toda a malícia, tornando-nos compassivos com o coração de Jesus. Amém

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