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Sobre um triste retrocesso cultural

            As lindas árvores que adornavam Gramado e encantavam nossos milhões de visitantes, viraram grosseiros espantalhos. Surpreende-nos o fato de que uma cidade tão bem cuidada possa ter sido vítima de um ato tão inesperado: toda cidade cuida de suas árvores, nós destruímos as nossas. O lamentável quadro urbano de igual formato, que existia até 1982, nunca foi cogitado de ressurgir perto de 40 anos depois, ostentando tão desinibido vigor.

            A decisão de permitir que tenhamos grandes prédios e não grandes árvores em nosso território urbano público vai contra tudo que tem se visto como proteção e valorização urbana em outros lugares; Porto Alegre e São Paulo, por exemplo. Os critérios respeitados, a propósito, mundo afora, são de suprimir árvores ou parte delas quando ameaçam bens ou pessoas, porém nunca fazer poda rasa. De modo que o que houve aqui, foi um retrocesso  quanto à melhor formatação das cidades, frente aos inevitáveis agravos ambientais contemporâneos.

            Certamente, a mutilação dos nossos arvoredos urbanos, tão carinhosamente cuidados durante décadas, não foi efetuada de má fé; todos queremos o melhor para Gramado. Nossos dirigentes responsáveis por esse surpreendente ato foram vencidos por uma tradição cultural superada.

Mas cometeram um erro: colocaram-se acima de cuidadosos estudos universitários, propostos para um centro turístico que deve crescer de modo sustentável em relação à sua aparência e os modos de encaminhar sua economia. Além disso, esqueceram-se de considerar que quem abre uma janela, prefere ver seus dia pintados de verde ao lado de galhos que não lhes ameaçam, e não outro prédio ou carros passando. Também que as árvores plantadas para ser grandes estão todas no lado da rua em que não passa fio de luz. Nem uma praça, sem fios ou calçadas, foi poupada.

            Pelo fato de eu ter sido um dos mentores do atual formato de arborização da cidade, muitos têm me procurado para reclamar. Digo-lhes que não podemos repor os galhos cortados inutilmente, mas que também nada poderemos construir baseados no rancor ou na busca de culpados.  E que junto com nossa imensa tristeza, nos coloquemos a disposição para ajudar que essa triste mutilação jamais se repita.

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