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As lágrimas do outono

O Covid-19 e o outono, repartem entre si o direito de existirem, dentro da imensa constelação de diferenças que o Universo proporciona. Nesse sentido, tanto uma venenosa serpente quanto um cândido   beija-flor, ocupam os espaços de Deus com a mesma garbosa autoridade. Porém, o outono se vincula ao sentimento das pessoas, sempre abertas às ricas sutilezas contidas na realidade em que vivem.

Mas o Corona ocupa outro lado da nossa compreensão, sustentado pela maldade absoluta de tomar o ser humano como alvo exclusivo, dentre os milhões de tipos de seres vivos que existem no mundo. No rol de suas más intenções até parece que ele sabe que os humanos são os únicos animais que podem acumular a tristeza e o medo, tidos como os mais arrasadores invasores de seus espíritos.

A tristeza emitida pelo outono em tal companhia, é tolerante com um agente furtivo e mortal, capaz de incluir tragédia no mais belo espaço anual do tempo. Assim mesmo, ele esbanja convite à graça da livre expansão do consolo, da fraternidade e da demonstração, muito concreta, de que a maioria dos seres humanos é formada por gente boa, sensível aos apelos de irmãos enterrados em infernais redutos de degradação de sua dignidade.

Na verdade, as lágrimas que marcam os contrastes, plantados no outono em curso, são expressões românticas de uma conivência entre as luzes do verão e as sombras do inverno. Então, a sua melancolia é apenas convite para que meditemos em relação ao significado do fragmento de história que estamos vivendo, considerando para que novo tipo de futuro estamos rolando e qual será a aparência que teremos na figura que os tempos estão agora desenhando.

E esse espaço do calendário é adornado pela Natureza com a suavidade das plantas, do ar e do descanso da terra. Também do céu, por estampar a data que sinaliza a esperança, que continua escorrendo pelas ranhuras das traves em que Jesus Cristo foi crucificado.

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