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Gramado, o outono e os arvoredos

                        Durante a fase de conservação natural da terra gramadense destacou-se Dona Therésia Nelz, que transpirava contagiante ardor sempre que se referia aos matos que rodeavam sua casa. Assim, fez de sua personalidade longínqua, exuberante e admirada, livro aberto onde muitos gramadenses aprenderam. Depois, vieram os plantadores de árvores, entre os quais se imortalizaram A. J. Renner, Oscar Knorr e o mais enlouquecido de todos: Leopoldo Rosenfeld. Só que tanto os conservadores quanto os plantadores morreram há tempos e, mesmo assim, Gramado ostenta, hoje, uma arborização exemplar.

            Ano após ano, vão aparecendo sensíveis progressos tanto na arborização central da cidade quanto na conservação do ambiente rural. Torna-se sempre mais evidente o formato do plano de ocupação vegetal de nossas ruas principais, convencendo mais gente de que poda rasa é desnecessária. Nossos colonos, por sua vez, assimilam cada vez melhor as técnicas que associam produtividade e conservação ambiental.

            Nesse percurso de mais de um século, surgiu um fato que traduz o alcance do novo estágio de entendimento entre os gramadenses e suas árvores: a comunhão do espírito. Isso talvez tenha sempre ficado implícito, mas, agora foi revelado claramente.

            Aconteceu que quando foi necessário substituir as antigas criptomérias do Lago Negro, ficou inconcebível reduzi-las à condição de lenha, depois de ficarem fazendo pose para milhões de fotografias por mais de 60 anos. Poderíamos entregá-las ao fogo, mas ele seria incapaz de queimar o afeto que sempre nos uniu. Então, resolvemos transforma-las em monumentos históricos. Passadas as emoções dessa descoberta, começamos a fazer comparações que nos levaram à conclusão de que as criptomérias do Lago Negro nunca foram nosso único afeto. Estamos unidos, em espírito, a todas as árvores da nossa terra.

            Esse sumário histórico mostra que aqui árvores não são apenas ornamento, lenha e sombra, mas entidades que espiritualizamos para melhor nos qualificar como cidade e como pessoas.

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