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O boi e a Festa

Quando vivemos, como agora, outra Festa da Colônia temos momentos em que enfeitamos de gramadenses a terra e as pessoas, fazendo com que em nenhuma outra ocasião nos sintamos tão irmãos, tão donos daquilo que sempre foi nosso. E mostra a elegância apurada e primitiva com que nossos colonos associam a foice e a enxada das roças com o garfo e a faca das mesas de refeição. Contudo, durante a Festa, um participante majestoso enche-se de silêncio para dar graça à força e à serventia. O boi.

O boi, na pior das hipóteses, participa como miolo de pastel ou acompanhante de batata frita. Mas por isso ninguém se deprime, já que os mamíferos em geral se alimentam de cadáveres, animais ou vegetais, naturalmente sob estrito rigor gastronômico.

Mas é nosso saudável costume exaltar a vida e empurrar para mais adiante a fatalidade da morte. Então, lembramos o desfile das carretas e os bois como seu único componente indispensável. Nessa comemoração festiva, pode haver desfile sem carreta e sem colono, mas não sem boi, porque se os colonos fossem puxar as carretas resvalariam nos tamancos em qualquer subidinha. Quantos carreteiros sorriem por aplausos a seus bois, pensando que são para si ou familiares que os acompanham.

Os bois também fascinam porque são uma das mais bem acabadas obras da natureza, exibindo extraordinária reserva de poder e harmonia física. O personagem tranquilo e exuberante que surpreende de entusiasmo a criança, é garantia de que não haverá triunfo de forças desabonadoras a tão singelo acontecimento. A imponente figura do boi coloca-se ao lado das mais belas expressões da sensibilidade humana.

Além disso, o trabalhou muito para ter direito a participar do desfile. Durante todo o ano e desde tenros tempos da sua juventude, labutou para produzir sua própria comida e aquela da família de seu dono. Puxou arado no cultivo do milho que teve na cocheira e a carreta sem enfeites, que transportou gêneros agrícolas de sustento da casa. Então, o boi, simples e contemplativo ao modo dos heróis, paira como símbolo de todos os anônimos que fazem o sucesso das nossas encantadoras Festas da Colônia.

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