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Deus nos instrui para compreender quem é Jesus

(Jo 6,41-52)

19º Domingo do Tempo Comum

É importante frisar de que somente o esforço humano não é suficiente para compreender quem é Jesus, insistir, revela-se inútil sem a intervenção de Deus. Visto apenas em sua aparência humana, o Messias foi considerado sob dupla vertente. Alguns o tomavam por uma pessoa extraordinária, detentora de um poder jamais visto. Sua sabedoria fazia-o superior aos rabinos, e sua autoridade em muito os superava. Enfim, uma grande figura humana. Outros, movidos pela inimizade que nutriam por Jesus, consideravam-no blasfemo, eliminador das coisas sagradas da religião. Seus gestos prodigiosos eram interpretados como fruto do pacto com Satanás, e sua presença junto aos pecadores e marginalizados, como expressão de má vida.

Tais considerações são enganosas, por não atingirem o cerne da identidade de Jesus. Portanto, só por revelação de Deus é possível conhecer a condição de Filho amado do Pai, enviado como penhor de salvação, portador de vida eterna para a humanidade, pão da vida e que a alimenta na longa caminhada rumo à casa do Pai.

Por conseguinte, o ser humano não pode conhecer Jesus por iniciativa própria. É o Pai quem coloca no coração humano o desejo de conhecer seu Filho. Quem se deixa instruir pelo Pai torna-se discípulo de Jesus.

Atração por Jesus

Jesus é o pão que desceu do céu. Não deve ser confundido com qualquer outra fonte de vida. Em Jesus Cristo podemos alimentar-nos de uma força, uma luz, uma esperança e um sopro vital..que vêm do próprio mistério de Deus, o criador da vida. Jesus é “o pão da vida”. Portanto, o que mais atrai em Jesus é sua capacidade de dar vida.

Se Jesus não nos alimenta com sua criatividade, vamos continuar presos no passado, vivendo nossa religião de formas, conceitos e sensibilidades que nasceram e se desenvolvera em outras épocas e para outros tempos que não são os nossos. Mas, então, Jesus não poderá contar com nossa cooperação para gerar a fé no coração dos homens e mulheres de hoje.

Escutar a voz de Deus na consciência

Jesus ao discutir com um grupo de judeus fez uma afirmação de grande importância: “…ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair”. E mais adiante continua: “…Quem ouve o Pai e é instruído por Ele, vem a mim”. Ora, a incredulidade começa a brotar em nós desde o momento em que começamos a organizar nossa vida de costas para Deus. Simplesmente isto. Deus vai permanecendo aí como algo de pouca importância, acantonado em algum lugar esquecido de nossa vida. É fácil então viver ignorando a Deus.

Mesmo nós que dizemos que acreditamos em Deus, muitas vezes, estamos perdendo a capacidade para escuta a Deus. Não que Deus não fale no fundo de nossas consciências. É que, cheios de ruídos e autossuficiência, já não sabemos mais perceber sua presença calada em nós. Talvez seja esta a nossa maior tragédia. Estamos expulsando Deus do nosso coração. Resistimos a escutar seu chamado e nos ocultamos de seu olhar amoroso. Preferimos “outros deuses” com quem viver de maneira mais cômoda e menos responsável.

Entretanto é bom deixar claro que sem Deus no coração, ficamos como que perdidos. Já não sabemos de onde viemos, nem para onde vamos. Não reconhecemos o que é o essencial e o que é pouco importante. Cansamo-nos buscando segurança e paz, mas nosso coração continua inquieto e inseguro. Fizeram-nos esquecer de que a paz, a verdade e o amor são despertados em nós quando nos deixamos guiar por Deus. Tudo adquire então nova luz. Tudo começa a ser visto de maneira mais amável e esperançosa.

O Concílio Vaticano II fala com muita clareza o que significa no ser humano a “consciência”, ele foca como “o núcleo mais secreto” do  humano, o “sacrário” no qual a pessoa “se sente a sós com Deus”, um espaço interior onde “a voz de Deus ressoa em seu recinto mais íntimo”. Descer até o fundo desta consciência para escutar os anseios mais nobres do coração é o caminho mais simples para escutar a Deus. Quem ouve essa voz interior se sentirá atraído para Jesus.

Quando Jesus nos fala de “vida eterna” não significa simplesmente uma vida de duração ilimitada depois da morte. Trata-se antes de tudo, de uma vida de profundidade e qualidade novas, uma vida que pertence ao mundo definitivo. Uma vida que não pode ser destruída por um bacilo nem ficar truncada na encruzilhada de qualquer estrada. Uma vida plena que vai além de nós mesmos, porque já é uma participação na própria vida de Deus.

A tarefa mais apaixonante, portanto, que todos temos diante de nós é a de ser cada dia mais humanos, e nós cristãos cremos que a maneira mais autêntica de viver humanamente é a que nasce de uma adesão total a Jesus Cristo. “Ser cristão significa ser homem, não um tipo de homem, mas o homem que Cristo cria em nós”. (Dietrich Bonhöeffer).

Façamos nossa oração:

Senhor Jesus, queremos conhecer-te sempre mais, deixando-nos instruir pelo Pai o qual nos revela quem de verdade, Tu és. Amém

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