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As flores das araucárias

O pior de algumas terras alheias é que seus habitantes estão obrigados a levar a vida, vazias da imaginação de que pinhão não é flor também.

O pinhão é, na verdade, a flor mais rústica e o fruto mais gaúcho que existe.  Para confirmar São Chico o preparou vestido de bota, bombacha e chapéu de aba larga como alegoria da festa que inventou em sua homenagem. A vestimenta foi para simbolizar sua valentia, testemunhada pelo fato de ser a única fruta que tem coragem de enfrentar o frio arrepiante e as nevascas de Cima da Serra         O pinhão é o mais puro exemplo da fraternidade ambiental: as imensas araucárias libertam-se de seus filhos entregando-os à terra, não dando a ninguém o privilégio de seu consumo preferencial, deixando-os a disposição tanto dos bichos do mato, quanto dos caboclos que vão vendê-los nas beiras de estrada ou gente fina que os busca para impressionar seus amigos.

A venda de pinhão na margem das estradas é muito mais uma teimosa expressão cultural do que alguns reais no bolso de gente simples: eles não se permitem ser explorados pelos impostos que parasitam as iniciativas de quem trabalha; quando catam seus pinhões não perguntam quem é o dono das árvores; vendem o produto pelo preço que querem e não dão a mínima para quem diz que eles são uma agressão ambiental ou que estragam a aparência das rodovias. E muito burocrata, metido a grande autoridade, saiu correndo quando viu o tamanho do facão que lhe ameaçava as costelas.

 Por tudo isso, para nós, o pinhão não é simples alimento, é símbolo espiritual que harmoniza o que somos com aquilo que nossa terra é; impondo ternura em nossa valentia, cobrindo–se do mistério da flor que não é.

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