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Entrevista

Rafael Carniel Almeida

Secretário de Turismo de Gramado

Nesta semana nosso entrevistado é o Secretario de Turismo de Gramado. Rafael Carniel Almeida. Como a Gramadotur, mesmo trabalhando nos próximos eventos, não tem previsão para os mesmos, visto a instabilidade e, como em todos os setores, vai depender da famosa ‘curva’, a Secretaria de Turismo é hoje a principal tomadora de decisão frente a articulação do Turismo de Gramado, durante e pós quarentena. E, pelo que vimos nesta entrevista, o secretario de Turismo está focado. Como o conteúdo das respostas era muito extenso, dividimos em tópicos, para facilitar. Espero que seja útil e prazerosa a tua leitura. Semana que vem vamos com outro ou outra entrevista, não sabemos quem ainda. Estamos como a palavra de ordem do momento, instáveis! :) Tela Tomazeli

Rafael C. Almeida – Secretário de Turismo de Gramado. Foto: Arquivo pessoal

gramadomagazine.com.br: O Secretário já pode colocar uma data para que os empresários possam se programar, de forma definitiva, voltar ao trabalho, em todos os setores, principalmente a hotelaria – que no caso aqui, ao nosso ver, é a mais frágil, pois se um hospede estiver contaminado no convívio, todos terão que ficar em resguardo, no hotel?

Rafael C. Almeida: Não é possível, de imediato, estabelecer uma data para retorno integral das atividades em todos os setores.O Secretario confirmou esta informação, depois de sair de uma reunião na Prefeitura, nesta tarde de 16 de abril). Serão certamente, algumas datas previstas, que poderão ser alteradas, conforme a pandemia avançar ou recuar.

Prudência – Estamos sujeitos a normatizações superiores e intervenções do Ministério Público em quaisquer decisões, assim como outras cidades. Exige-se embasamento científico ou fatos novos que justifiquem movimentos de afrouxamento das medidas restritivas tomadas pelos municípios, sem contrariarem orientações dos órgãos oficiais de saúde.

Como e não quando – Apesar de entender, como administrador e conhecedor da realidade das empresas locais, a necessidade tempestiva de liquidez para evitar um profundo colapso econômico a curto prazo, sigo afirmando que o “como” voltar é ainda mais importante do que o “quando” voltar. 

Sou favorável – Hoje ressaltamos, porque amanhã isso pode mudar – um retorno gradual da atividade econômica, até porque, tivemos sucesso ao retardar o início da curva de contágio, o que nos permitiu aprimorar a nossa infraestrutura de saúde no município.

Nosso hospital atende à Central de Leitos, que é estadual, ou seja, os ventiladores pulmonares do Hospital Arcanjo São Miguel não são exclusivamente para a demanda de Gramado. Dessa forma, não há situação totalmente previsível ou confortável. 

Políticas dos municípios vizinhos – Sobretudo os circunvizinhos, também nos afetam. Somos um exemplo e uma liderança nacional em Turismo, muitos municípios nos veem como referência. Observam o que fazemos e levam isso em conta antes de tomar suas decisões.

Erro que envolva o nome de Gramado causará danos – Somos também uma marca fortíssima no cenário do Turismo, e qualquer erro que envolva o nome de Gramado causará danos de longo prazo a nossa marca, podendo afetar o desejo pelo destino. O empresário sabe disso, que o endosso da marca “Gramado” faz toda diferença no empreendimento. Os eventos captados têm incremento de público em 30% ao serem realizados em Gramado. Isso faz diferença na nossa economia. Vimos que um empreendimento que precisou ficar em quarentena levou Gramado à mídia nacional. Sua fachada foi exposta, bem como o nome do município, relacionando-o à doença. 

A população local e nosso maior ativo – Deve-se primeiro entender que toda gestão de crise pressupõe o estudo de possíveis cenários. E a única certeza, neste momento, é que o cenário é totalmente instável. É uma crise de saúde;

Temos mais de 4.500 idosos em Gramado, sem contar o restante do público de risco;

Temos uma economia baseada acima de 80% no Turismo, que é um dos setores que merece maior atenção nesta crise;

Temos um povo hospitaleiro, educado, empreendedor, que é o ativo mais precioso dessa terra, porque foi esse povo, que fez Gramado chegar onde chegou, tudo o que fizemos foi consequência da nossa cultura e legado;

O povo de Gramado é o bem mais precioso a ser preservado – ele faz acontecer. Temos uma imensa responsabilidade. Precisamos começar a movimentar a economia, mas também precisamos manter a curva de contágio achatada. Ou seja, o planejamento deve ser flexível, pois tudo pode mudar a todo o tempo, pois também estamos sob jurisdição estadual e federal.

A Prefeitura de Gramado – O que se deve esperar da Prefeitura de Gramado é a adoção de medidas responsáveis nos aspectos jurídico, socioeconômico e de saúde, tendo como primeiro foco a preservação da vida em todos os seus aspectos – reforço, inclusive o econômico. O cenário que vivenciamos no Brasil, pela própria natureza epidêmica da crise, não oferece receitas prontas. Além de dependermos de insumos limitados por instâncias superiores para combate à pandemia, cada município do mundo tem um sistema de saúde. E ainda precisamos administrar situações decorrentes das alterações normativas nas esferas federal e estadual. 

gramadomagagzine.com.br: Por que a locação das casas de temporada não está respondendo aos decretos? Não seria de conversar com as empresas a nível mundial que locam, os condomínios, administradoras, proprietários, enfim, o volume de locações já causou assaltos. Imagina se isso pega em Gramado?

Rafael C. Almeida: Enviamos o link do decreto que suspendeu os aluguéis por temporada, através dos canais de contato disponíveis, aos três maiores players do País, Airbnb, Booking e Expedia, ainda no mês de março, solicitando que fosse suspensa a oferta de imóveis em Gramado. Não obtivemos resposta, a não ser a inclusão de um aviso no site ao locatário para que “checasse possíveis limitações impostas pelo COVID-19”.

Providencias e roubo – A Secretaria de Turismo então encaminhou o assunto à Procuradoria do Município para verificação das medidas legais cabíveis. Soubemos que, nesse período, alguns locadores sofreram furtos qualificados, justamente pelo fato de os bandidos acreditarem que não seriam denunciados pelos locadores. São interesses individuais que fragilizaram momentaneamente a segurança e a saúde do município, demonstrando uma falta grave com a coletividade.

Art. 268 do código penal – Além de tudo, o proprietário do imóvel deve ter consciência do risco que assume diante do art. 268 do código penal: “Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa” pode gerar pena de detenção, de um mês a um ano, e multa. Questão de cidadania e de responsabilidade.

gramadomagazine.com.br: O Secretario já avaliou que está na hora de Gramado voltar a mídia, é momento de se renovar nesta transição, para a mídia digital, que se não me engano, ouvi uma entrevista sua que dizia exatamente isso. Quando vamos ter a campanha do ‘Turismo em Gramado’ pronta? É a questão da data, que citei na primeira pergunta.

Rafael C. Almeida: Sim. Gramado está na mídia, frequentemente noticiada nos canais digitais de imprensa pelo bom exemplo que tem dado, assumindo uma postura responsável neste momento.

Mais profundo do que lançar uma campanha às pressas – Não há um dia que o assunto marketing digital não esteja sendo tratado na SECTUR. Ele é muito mais profundo do que lançar uma campanha às pressas. Campanhas poderiam ser lançadas rapidamente, com pouco estudo de mercado e pouco engajamento, oferecendo pouco ou nenhum compromisso com a experiência do cliente. Seria muito fácil gastar rios de dinheiro impulsionando material genérico, com baixíssima eficiência e sem engajamento real do público. Sem escolher o canal digital certo, o público certo, o evento certo, o produto certo do município, o jeito de comunicar, a imagem, a história a ser contada, é dinheiro gasto à toa.

Meu compromisso é pelo bem-feito, com respeito – Todo plano de marketing – inbound ou outbound (o Inbound Marketing busca despertar o interesse do cliente com conteúdo relevante para que ele chegue ao seu produto. O Outbound Marketing é mais tradicional, com o uso de propagandas físicas e digitais), precisa ter uma boa base, ser muito bem feito. Senão é dinheiro jogado fora. E esse dinheiro, no caso da SECTUR, é público. Ou seja, deixo claro que meu compromisso é pelo bem-feito, com respeito.

A marca de Gramado é cara – Não se pode apresentá-la sem cuidado. Neste ano, não agir precipitadamente foi a melhor coisa que poderia acontecer. Nosso orçamento é enxuto e qualquer gasto precipitado com impulsionamentos ou geração de material de incentivo a viagem teria o timing (tempo) perdido diante do cenário atual. O momento requer outro tipo de comunicação, outra abordagem. E isso será feito, com a devida base.

Projetos em andamento – Nesse meio tempo, antes da deflagração da pandemia, já iniciamos o projeto do novo site e aplicativo oficial da cidade, estudos da nova identidade do Turismo de Gramado nas redes, implantamos pesquisa digital nas centrais de informações turísticas para conhecer melhor o nosso público, produzimos o vídeo “É tempo de esperar”, feito para mídias sociais, replicado para todo o mailing nacional da Secretaria de Turismo e viralizado pelo WhatsApp a nível nacional. Abrimos grupos de comunicação direta com as entidades representativas do trade via WhatsApp, propusemos projetos digitais unindo algumas entidades para apoio mútuo.

Algumas reflexões adicionais a respeito do digital – Seria muito mais rápido e fácil ter um marketing digital eficiente se Gramado já tivesse um sistema estruturado de dados e estatística, fontes de coleta de dados e captura de leads. Mas ainda não há, estamos trabalhando nisso, em vista do futuro. As informações hoje estão descentralizadas e são coletadas ponto a ponto, com esforço humano. Dependemos de muitos dados fornecidos por terceiros.

A SECTUR tem a primazia do turismo no Município– É responsável pela estratégia do destino turístico como um todo, compreendendo sua estrutura turística, atrações e eventos, sua divulgação no Brasil e no Exterior, articulação regional, estadual e federal no que envolve Gramado, abertura de novos mercados, e as políticas públicas da atividade que sustenta a nossa cidade. Ou seja, a SECTUR deve estar aparelhada para concentrar e fornecer informação fidedigna, conforme parâmetros da nova LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), para tomada de decisão e orientação do trade turístico local e da autarquia.

Faltam dados – É o ponto de convergência estratégica do turismo municipal, que é nosso negócio público-privado. Como órgão estratégico, carece de dados oriundos de pesquisa. No entanto, não detemos um observatório ou instituto voltado exclusivamente para esse fim.

O fato é que estamos em 2020 e a fase do empirismo no Turismo já passou. A experiência do passado segue sendo fundamental, mas precisamos de dados que nos orientem para o futuro. O marketing de destino precisa ser baseado em dados, precisa conhecer profundamente o público visitante, seu comportamento, seus anseios e também as características locais, para construir o produto certo, a atração certa, o evento certo.

Precisa trabalhar para viabilizar o destino para o acolhimento de novos públicos de interesse. Assim, nossos eventos podem continuar surpreendendo, com novos formatos e recursos, voltados para novos tempos.

temos trabalhado nesse projeto de tornar o Turismo de Gramado 4.0 (Turismo na Era Digital), através de pesquisas, troca de experiências com contatos do turismo europeu e startups brasileiras.

Mas não é um projeto que se conclua rapidamente, são necessários muitos meses de trabalho, não raramente, alguns poucos anos até estar totalmente “redondo”. Há muitas negociações e dispositivos – inclusive legais – envolvidos na coleta de dados.

Enquanto não temos profundos dados do público, implementamos as pesquisas digitais nas centrais de informações – cujos resultados já nos revelaram aspectos interessantes – que serão compartilhados em breve com o trade turístico.

Por ora, trabalhamos com as informações que temos coletado nas Centrais, também os dados do fluxo junto à EGR, ao SindTur e Convention & Visitors Bureau. Mas ainda não são suficientes para montagem de todo o quebra-cabeças mercadológico que precisamos para um marketing excelente. Agora, 20 atrações rurais de Gramado foram entrevistadas em profundidade pela Emater e pela Sectur para estruturarmos – com base em pesquisa – novas políticas para o Turismo Rural em Gramado.

Entenda que assumimos a secretaria faz apenas três meses, com um cenário muito diferente. Muitos eventos acontecendo na cidade no primeiro semestre, ações de divulgação de Gramado país afora, projetos tecnológicos para o turismo de Gramado em andamento, a agenda cheia de ações de divulgação de Gramado a nível nacional.

Trabalhávamos já para a consolidação internacional de Gramado na América do Sul, em um projeto muito promissor na Colômbia, terceira economia da América Latina, em busca de turistas com permanência e ticket médio altos. Voo direto Bogotá-Porto Alegre estaria estreando em junho, várias operadoras e OTAs interessadas em vender Gramado, programa contendo Gramado na principal emissora de TV colombiana com data de produção já marcada. De repente, muita coisa mudou.

gramadomagazine.com.br: Quais as ações que estão sendo construídas para conquistar o Turista, para que agora, ao procurar um destino para o segundo semestre, esteja convencido de que é Gramado seu melhor destino?

Rafael C. Almeida: O Turismo “de carro”, compreendendo viagens mais breves, que se tornem atrativas pelos benefícios, combos e bônus (e não por descontos) são uma grande tendência que precisamos explorar muito bem. Vence quem oferecer a experiência mais incrível num menor espaço de tempo, para o público certo.

E hora de repensar, luxo não se determina pelo preço – Precisamos, cada um de nós, município e empresas, repensar as experiências que temos oferecido, na visão do cliente. Luxo não se determina pelo preço, a experiência é o novo luxo.

Superar expectativas por um preço condizente – É a conquista certa e garante indicação, a empresa ganha, a cidade ganha. Quanto mais surpreendente, mais barato parecerá, ainda que a quantia desembolsada seja relevante.

Estude a jornada do seu cliente – Recomendamos a quem tem negócios a leitura do livro “Value Proposition Design – Como construir propostas de valor inovadoras“, de Alex Osterwalder. Estudar a jornada do seu cliente desde a procura até a saída dele, após o consumo. Quais as dores que ele não espera ter? Quais as que temos aliviado? Quais os ganhos que temos oferecido e ele não consegue perceber? Quais são os ganhos que ele gostaria de encontrar? Esse livro é ótimo para orientar corte de custos e decidir novos investimentos na empresa. Uma coisa que é certa: ele desejará segurança, não quer ficar doente. Ou seja, até que não estejamos livres do COVID-19, precisaremos tomar todos os cuidados, e mais do que isso, mostrar nos detalhes esse cuidado.

A experiência de Gramado em 2020 Precisa ser ainda mais justa: preço compatível com a experiência. Precisamos saber que o turista do segundo semestre virá com comprometimento da renda e seu ticket médio será menor, seja pela permanência, seja pela imposição da crise. A ideia não é e nem nunca será divulgar “Gramado a preço de banana”. Somos a quinta tendência em turismo no mundo. Temos alguns dos melhores hotéis do Brasil e do mundo.

As pessoas desejam as experiências que oferecemos – Somos qualidade. Oferecemos o inesquecível. Somos tempo bem aproveitado, bem vivido. Será sim Gramado a um preço justo, com facilidades na aquisição e muitos benefícios no pacote. Comprou hotel, vem chocolate. Comprou chocolate, vem benefício no parque. Comprou no parque, ganha voucher para o comércio. Comprou no comércio, ganha condição especial na hotelaria para voltar em até “x” meses.

Precisamos unir as entidades e as empresas a favor da experiência do turista.

Por isso, apoiamos que as nossas empresas procurem se associar às entidades. Todos ganham com isso. Fica muito mais fácil negociar benefícios em conjunto. Reduzir margens para compor combo, OK! Desqualificar o produto entregando como se fosse qualquer coisa, nunca! No front, os melhores atendentes, com a maior gentileza e o melhor sorriso. Precisamos entender o que é sucesso numa experiência de Turismo para o nosso cliente e entregar isso a ele, que ele saia encantado de Gramado e recomende aos vizinhos e parentes os nossos hotéis, pousadas, restaurantes, parques, lojas, agências de passeios.

Não se deve esperar que toda a solução venha da divulgação institucional do destino

Está na hora de cada uma das nossas empresas se preparar para o novo Turismo que está começando. As coisas não voltarão a ser iguais, o comportamento do consumidor mudará definitivamente após meses de imersão digital.

Procure entender e pesquisar mais sobre o público que deseja – O que ele vê, quem o influencia, o que ele fala, o que ele sente, onde vê ganhos e quais são suas dores. Molde a experiência que você oferece e a sua comunicação para esse cliente – seja marketing digital ou não, conforme o melhor canal para o seu cliente. 

Nosso foco institucional – Vai estar na preparação do trade, na conquista do público gaúcho e catarinense nos canais mais adequados, e também paranaense, uruguaio, argentino. Quem vem de carro, num primeiro momento. E vamos manter aquecido o desejo no restante do Brasil, para que assim que o aéreo se restabeleça, as pessoas venham para Gramado. Além de tudo, temos um farto calendário de eventos públicos e privados no segundo semestre. Ao meu ver, em meados de agosto ou setembro já estaremos vivenciando uma escala de retomada em nível nacionalserá o início do novo mercado de Turismo.

Teremos também novidades: está vindo aí um novo produto de turismo de Gramado, voltado para um nicho envolvendo bicicletas e o meio rural. Até 7 dias de experiências incríveis, relacionadas a esporte, lazer e natureza, sem repetir um dia sequer. E tem muito gaúcho e catarinense que vai passar a frequentar Gramado!

gramadomagazine.com.br: Temos pela frente o Festival de Cinema, Festival de Gastronomia, Natal Luz. Tirando o objeto absolutamente relacionado Turismo/Gramadotur, o profissional Rafael C. Almeida faz qual avaliação sobre cada um dos eventos com relação a data e formato?

Rafael C Almeida: Penso que “se é para colocar o time em campo, tem que ser para dar show”. A Gramadotur tem um time excelente de profissionais. Somando a isso o fato de Gramado ser inquieta e inovadora por natureza, acredito que temos o compromisso de tornar viáveis as melhores experiências de eventos e festivais em qualquer temática que nos propusermos a executar. Nossos festivais podem até ter menor porte em uma edição, mas precisam surpreender sempre pelo grau de qualidade.

Gramado é diferente – As expectativas que nos circundam são sempre muito altas. Essa cidade nos dá tanto orgulho, e ela já chegou tão longe, que pensamos que ela merece de nós sempre o melhor em retribuição. Enquanto administrador e especialista em inovação e cidadão gramadense, gostaria de ver nossos espetáculos sempre repaginados em vários aspectos, conforme o nosso posicionamento de marca, a avaliação e expectativa do público desejado.

No Festival de Cinema – Nossa expectativa é sempre encontrar presenças notórias: que nossos melhores atores façam questão de prestigiar anualmente. Ver qualidade em cada detalhe. Os melhores filmes da américa latina em exposição. A aura de glamour do cinema desde o traje dos convidados até a transmissão nas melhores mídias. Festins com artistas convidados como chefs ou anfitriões em alguns dos nossos melhores restaurantes e hotéis. Naturalmente para esse ano temos sérias implicações quanto a obtenção de patrocínios e aos gastos extraordinários com a saúde: mas buscar viabilizá-los da melhor maneira possível deve ser um compromisso da cidade. Apesar de estar previsto para agosto, acredito que setembro seria um mês mais tranquilo para o Festival, sobretudo por ocorrer em ambiente fechado, com dependência de ar condicionado no inverno.

Quanto ao Festival de Cultura e Gastronomia – Acreditamos que deva acontecer também dentro de excelentes padrões de qualidade, preservando sua marca e identidade própria, desvinculada a outros eventos, ainda que viessem a acontecer simultaneamente. Precisamos reforçar essa marca e aumentar ainda mais a sua expressão. Acredito que shows que destaquem os aspectos culturais de cada país convidado possam ajudar muito nesse trabalho, e que a pegada “comida de verdade”, “produção próxima”, “valorização do sazonal”, “sustentabilidade” e “comida com a cara de Gramado”, sejam cada vez mais valorizados, com destaques à nossa produção agrícola sustentável e orgânica.

Sobre o Natal Luz – É um evento maduro e como tal, também se massificou, isso é muito difícil de evitar ao longo do tempo. É rico em experiências, lindo, fundamental para a nossa economia e tem sido o nosso carro chefe, ano após ano. É um dos produtos mais vendáveis de Gramado, mas merece passar por uma transformação radical no seu formato, pois o formato atual tem prejudicado a experiência na cidade – sobretudo de mobilidade – como pudemos perceber na última avaliação. Ou seja, não é um contrassenso que o nosso principal evento não seja o melhor momento para apresentar Gramado ao visitante que vem pela primeira vez? Foi o que a pesquisa mostrou.

Quanto mais relacionamento com Gramado, melhor a avaliação de Gramado.Quem veio pela primeira vez, avaliou Gramado com notas mais baixas, apesar de termos feito um lindo Natal. É apenas Gramado que precisa se adaptar a ele ou é ele que precisa se adaptar melhor a Gramado? 

Será que o Lago Joaquina Rita Bier seria o melhor lugar para toda aquela estrutura ou será que aquele lugar é uma paisagem memorável, que possui uma história e uma beleza a ser respeitada? Será que as fotos do Lago Joaquina no verão não ajudarão a vender mais Gramado?

Seria no Natal Luz o momento de cobrirmos a fachada do Palácio dos Festivais ou o momento de enaltecê-lo com uma bela iluminação para que possa ser fotografado e cativar o público para descobrir o evento que transformou aquela bonita cidade do interior na Gramado de hoje?

Não seria talvez a hora de “achatar a curva” do Natal Luz, prolongando-o um pouco janeiro adentro, com espetáculo novo a partir de janeiro, como acontece na Europa, onde a Epifania é feriado (Epifania do Senhor celebra-se a 6 de janeiro. O Dia da Epifania comemora-se tradicionalmente doze dias após o Natal, no Dia de Reis. Com a reforma do calendário litúrgico, em muitos países a data celebra-se no domingo entre o dia 2 e o dia 8 de janeiro (dois domingos após o Natal))?

Assim, quem veio em dezembro pode voltar para ver algo imperdível em janeiro, aproveitando boa parte da estrutura… Desconcentrar o público dos dias de pico para dias de menor movimento através de condições diferenciadas nos ingressos, para oferecer uma melhor experiência da cidade nos finais de semana?

Talvez criar novos espetáculos, novos apelos, novas sensações? Tantos espetáculos gratuitos fechando uma via importante e prejudicando a experiência da cidade tem compensado?

Há muitas perguntas que fazemos nesse contexto. Algumas delas ainda carecem de mais dados, de respostas. Estamos fazendo quase 20 anos no mesmo formato e as pessoas já sabem bem o que esperar do Natal Luz. Acho que é hora de surpreendê-las novamente.

Também defendo que cada evento, em cada edição, seja ele público ou privado, deva deixar algum legado para a cidade, além do resultado financeiro: seja no turismo, na arte, na cultura, na educação. Os eventos precisam “tocar” a comunidade e os participantes, gerar transformação para quem vai e para quem fica. A experiência de Gramado deve transformar vidas, carreiras e negócios.

gramadomagazine.com.br: Quais as áreas do município estão sob a tutela da Secretaria de Turismo de Gramado?

Rafael C. Almeida: Por lei, compete à Secretaria Municipal de Turismo:

Atrair investimentos para o desenvolvimento do turismo no município;

Articular a promoção institucional da cidade no país e no exterior;

Impulsionar ações que visem a integração das atividades do setor de Turismo com a região, compreendendo destinos, roteiros e atividades turísticas dos municípios integrados;

Estimular e participar de comitês ou fóruns municipais, regionais, estaduais e federais que visem o desenvolvimento turístico da Região;

Incentivar a interação com entidades públicas e privadas, organizações não governamentais e organizações da sociedade civil de interesse público, nacionais e internacionais, com o objetivo de incrementar o intercâmbio de novas tecnologias de desenvolvimento turístico;

Viabilizar a formação e a capacitação dos profissionais que atuam na área de turismo, visando a melhoria da qualidade e, da produtividade dos serviços prestados aos turistas;

Fomentar a captação e a geração de eventos, nacionais e internacionais, no sentido de minimizar os efeitos da sazonalidade da atividade turística;

Coordenar, monitorar e acompanhar as ações dos programas da Política de Turismo do Estado e União,

Atualmente a pasta do Turismo também responde pela administração dos Pórticos, da Rua Coberta, da Praça Major Nicoletti e Central de Informações (exceto o coreto), da Praça das Etnias (exceto os fornos, a Casa do Colono e as casas das etnias), e cedidos de forma onerosa, pelo Lago Negro e pelo Museu do Festival de Cinema.  Rótulas e canteiros da cidade.

gramadomagazine.com.br: Tens os números de eventos desmarcados no município, de congresso a casamento? Quantas leitos, quantas refeições, compras… Quanto o município deixa de ganhar de impostos?

Rafael C. Almeida: Tivemos mais adiamentos do que cancelamentos. 37 eventos foram remarcados para o segundo semestre e para o primeiro semestre de 2021. Vários casamentos foram adiados, também. Em função da sazonalidade, é um cálculo complexo, mas só a hotelaria do município estima deixar de faturar mais de R$ 100 milhões mensais. A arrecadação do município também será bastante reduzida, e nossos gastos aumentados em função das medidas assistenciais necessárias.

gramadomagazine.com.br: “Acredito que seria papel da Secretaria de Turismo, junto com os principais players (hotéis, pousadas, agência de receptivos, pontos turísticos da iniciativa privada, restaurantes, bares temáticos, comercio, Convention Bureau, ABIH , Gramadotur), em síntese, quem vive do turismo …ou quem o turismo sustenta…ter parte do dinheiro arrecadado de imposto como o ISS, repassado para a secretária fazer esta divulgação …” Questionamento do empresário Guilherme Paulus, referindo-se a nossa sugestão de Gramado iniciar sua campanha publicitária para o turista, que já pensa em uma alternativa para o segundo semestre?

Rafael C Almeida: O município destina parte das receitas oriundas dos tributos às secretarias – inclusive à SECTUR – através da Lei Orçamentária. Os valores relativos à cessão onerosa do patrimônio público devem, por lei, compor o Fundo de Turismo, também gerido pela Secretaria, com deliberações do Conselho Municipal de Turismo. Estas reservas também são empregadas na promoção turística de Gramado e serão destinadas a nossas campanhas de divulgação do destino. Já a TTS (Taxa de Turismo Sustentável) é gerida pela Gramadotur e seu emprego se dá, prioritariamente, em infraestrutura.

gramadomagazine.com.br: Qual a tua formação? Como estas empregando ela junto a pasta do Turismo?

Rafael C. Almeida: Sou Administrador habilitado em Comércio Exterior pela Unisinos/RS, com registro vigente no CRA-RS, especialista em Inovação e Design Estratégico pela ESPM/RS, com extensões em Consultoria Empresarial Avançada pela CEEM/FGV e Place Branding pela ESPM Tech/SP. Tenho também formação técnica contábil. Durante a minha trajetória profissional em um dos maiores bancos da América Latina, também obtive inúmeras certificações de conhecimentos auferidas pela FGV em provas demandadas pela empresa, em diversas áreas de atuação, como Marketing, Controles Internos, Responsabilidade Socioambiental, Gestão Organizacional e de Pessoas, Comércio Exterior, Gestão de Crédito, Conhecimentos Jurídicos, Economia e Finanças. Toda a minha formação acadêmica e profissional é empregada na pasta do Turismo, das coisas mais simples às mais complexas.

Por exemplo, estamos utilizando o Business Model Canvas para estruturação das nossas atividades na SECTUR, ferramenta de design de estratégia utilizada por algumas das organizações mais modernas e inovadoras do mundo, entre elas, o governo do Canadá.

A escuta e a valorização da colaboração das entidades e do cidadão. No Turismo Rural, com o apoio da Emater, o inventário atualizado e encontrar as melhores formas de apoiar essas famílias e desenvolver o turismo do município. Pesquisas digitais

Como administrador, na deflagração da Crise do COVID-19, nossa primeira medida foi buscar abertura de linhas de crédito junto aos bancos instalados em Gramado, prevendo a necessidade de liquidez das empresas dependentes do Turismo, também buscamos informações sobre as linhas do BNDES e FUNGETUR para apoio às empresas, gravamos vídeos sobre elas e distribuímos às entidades para repasse aos empresários, prevemos a necessidade de documentos de licenciamento ambiental, e junto à Secretaria do Meio Ambiente alinhamos os procedimentos, com o apoio das entidades, para que o crédito não fosse prejudicado.

Recentemente, fechamos um serviço de apoio junto ao SEBRAE para micro e pequenas empresas dependentes direta ou indiretamente do turismo, um serviço de consultoria digital para enfrentamento ao impacto do COVID-19 nos negócios, que deve entrar no ar nos próximos dias, enfim. A própria conexão com startups e funcionários dos governos de outros países que tenho mantido em busca de soluções inovadoras para o turismo de Gramado são sinais de emprego das minhas formações.

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