(Lc 1,26-38)

4º Domingo do Advento

O evangelista Luca narra o anúncio do nascimento de Jesus em estreito paralelismo com o do Batista. O anúncio do nascimento do Batista acontece em “Jerusalém”, a grandiosa cidade de Israel, centro político e religioso do povo judeu. O nascimento de Jesus é anunciado num povoado desconhecido das montanhas da Galileia: uma aldeia sem importância nenhuma, chamada “Nazaré”, donde ninguém espera que possa vir algo de bom. Anos mais tarde, os povoados humildes da Galileia acolherão a mensagem de Jesus anunciando a bondade de Deus. Jerusalém, pelo contrário a rejeitará. Serão os pequenos e insignificantes os que melhor entendem e acolhem a Boa Notícia de Deus.

O Messias nascerá de Maria, uma jovem virgem. O Espírito de Deus estará na origem de sua aparição no mundo. Por isso “será chamado Filho de Deus”. O Salvador do mundo não nasce como fruto do amor de dois esposos que se amam mutuamente. Nasce como fruto do Amor de Deus a toda a humanidade. Jesus não é um presente que Maria e José nos dão. É um presente que Deus dá.

“Alegra-te”: O relato da anunciação a Maria é um convite a despertar em nós algumas atitudes básicas que devemos cultivar para viver nossa fé de maneira prazerosa e confiante.

“O Senhor está contigo!”:  A alegria a que somos convidados não é um otimismo forçado nem um autoengano fácil. É a alegria interior que nasce em quem enfrenta a vida com a convicção de que não está só. Uma alegria que nasce da fé.

“Não temas”: São muitos os medos que podem despertar em nós. Medo do futuro, da doença, da morte. Coisas que nos causam medo: sofrer, sentir-nos sós, não ser amados. Podemos sentir medo de nossas contradições e incoerências. O medo é mau, causa dano. O medo sufoca a vida, paralisa as forças, nos impede de caminhar. Precisamos de confiança, segurança e luz.

“Encontraste graça diante de Deus”. Não só Maria, mas também nós precisamos ouvir estas palavras, pois todos nós vivemos e morremos sustentados pela graça e pelo amor de Deus. A vida prossegue, com suas  dificuldades e preocupações. A fé em Deus é uma receita para resolver os problemas diários. Mas tudo é diferente quando vivemos procurando em Deus luz e força para enfrenta-los.

“Alegra-te” É a primeira palavra que escuta aquele que se prepara para viver uma experiência boa. Hoje não sabemos esperar. Somos como crianças impacientes que querem tudo imediatamente. Não sabemos estar atentos para conhecer nossos desejos mais profundos. Simplesmente nos esquecemos de esperar Deus, e já não sabemos como encontrar a alegria. Estamos perdendo o melhor da vida.

O grande teólogo Jürgen Moltmann, expressou isto da seguinte maneira: “A palavra última e primeira da grande libertação que vem de Deus não é ódio, mas alegria; não é condenação, mas absolvição. Cristo nasce da alegria de Deus, e morre e ressuscita para trazer sua alegria a este mundo contraditório e absurdo”.

Olhemos para Maria! Ela acolhe com a alegria o Filho de Deus em seu seio. Como enfatizou o Concílio Vaticano II, Maria é modelo para a Igreja. Uma Igreja que fomenta a “ternura maternal” para com todos os seus filhos e filhas, promovendo o calor humano em suas relações. Uma Igreja de braços abertos, que não rejeita nem condena, mas acolhe e encontra um lugar adequado para cada um.

Façamos nossa oração:

Querido Pai do céu, teu Filho Jesus encarnou-se para salvar a humanidade e reconduzi-la à comunhão contigo. Torna-nos solícitos para assim acolhermos o caminho da salvação aberto por Ele a cada um de nós. Amém