(Jo 1,6-8.19-28)

3º Domingo do Advento

É curioso como o quarto evangelho apresenta a figura do Batista; é um “homem”, sem mais qualificativos nem precisões. Nada se diz de sua origem ou de sua condição social. Ele mesmo sabe que não é importante. Não é o Messias, não é Elias, nem sequer é o Profeta que todos estão esperando. Só se vê a si mesmo como “a voz que clama no deserto”: “aplainai o caminho do Senhor”. Não obstante, Deus o envia como “testemunha da luz”, capaz de despertar a fé de todos. Uma pessoa que pode transmitir luz e vida. O que é ser testemunha da luz?

A testemunha é como João. Não dá importância a si mesma. Não busca ser original nem chamar a atenção. Não procura causar impacto em ninguém. Simplesmente vive sua vida de maneira convicta. Percebe-se que Deus ilumina sua vida, pois o irradia em sua maneira de viver e de crer.

A testemunha da luz não fala muito, mas é uma voz. Vive algo inconfundível. Comunica o que a faz viver. Não diz coisas sobre Deus, mas transmite “algo”. Não ensina doutrina religiosa, mas convida a crer. A vida da testemunha atrai e desperta interesse. Não culpabiliza ninguém, nem condena. Transmite confiança em Deus, liberta de medos. Abre sempre caminhos. É como o Batista, “aplanai o caminho do Senhor”.

A testemunha se sente frágil e limitada e muitas vezes comprova que sua fé não encontra apoio nem eco social. Vê-se rodeada de indiferença ou rejeição. O mundo atual está se convertendo num “deserto”, mas a testemunha nos revela que sabe algo de Deus e do amor, sabe algo da “fonte” e de como se acalma a sede de felicidade que existe no ser humano. A vida está cheia de pequenas testemunhas, simples e humildes. São o melhor que temos na Igreja.

Na sociedade da abundância e do progresso, está se tornando cada vez mais difícil escutar uma voz que venha do deserto. O que se ouve á publicidade do supérfluo, a divulgação do trivial, o palavrório de políticos prisioneiros de sua estratégia, e até discursos religiosos interessados.

No meio do deserto da vida moderna podemos encontrar-nos com pessoas que irradiam sabedoria e dignidade, pois não vivem do supérfluo. Gente simples. Não pronunciam muitas palavras. É sua vida que fala.

Talvez a maior desgraça do cristianismo seja o fato de que existem  tantos homens e mulheres que se dizem “cristãos”, mas não dão lugar a Jesus em seu coração. Não o conhecem, nem vibram com Ele, não são atraídos nem seduzidos por Ele. Para eles, Jesus é uma figura inerte e apagada. Está mudo.

A Igreja precisa urgentemente de “testemunhas” de Jesus, pessoas que se pareçam com Ele, cristãos que, com sua maneira de ser e de viver facilitem o caminho para crescer em Cristo. Necessitamos de testemunhas que falem de Deus como Ele falava, que comuniquem sua mensagem de compaixão como Ele o fazia, que transmitam confiança no Pai como Ele.

Façamos nossa oração:

Senhor Jesus, como João Batista, desejamos nos colocar totalmente a teu serviço, dando ao mundo o testemunho de tua luz. Amém