Gramado, igual aos demais municípios brasileiros está em plena comemoração da festa da democracia, as eleições. Vive esses preciosos tempos com tal ardor que atropela o até já meio desmoralizado Corona vírus. De todas as bocas surgem promessas e propósitos, realidades e ficções, verdades e calúnias.

Através das eleições surgem pessoas que se apresentam como aspirantes a um cargo público e outras que falam muito mal ou muito bem delas. E essa velha regra é sustentada por dois fatores igualmente antigos: o poder e o medo.

O poder costuma ser pai de muitos favores e lugar garantido nos espaços da mídia, conferindo aos eleitos uma graça muito apreciada: a fama – parece que nada é melhor do que dar as ordens e ainda ser agradado por isso. No mais, as oportunidades de ganhar um dinheirinho adicional e prestar relevantes serviços comunitários. Tais circunstâncias servem para despertar notáveis fantasias e acordar contidos fluxos de vaidade.

Quando das eleições, o motivo principal que afia as más línguas é não se candidatar por medo de perder para outros, supostamente, de menor qualificação e descobrir-se menos importantes e estimados do que pensavam que eram. Os mais soberbos, declaram que o meio político é indigno de pessoas como eles, tão cultas, honestas e competentes. São os corroídos pelos seus amargos anonimatos.

A existência de um pleito eleitoral pressupõe alguém no qual votar. Então, já que sem candidato não haveria eleição, a pátria muito deve a todos os que se expõem nas urnas, porque eles são os definitivos patronos da democracia.    

Dessa forma, em vez de escárnios pueris, cabe reconhecer o mérito de que ser candidato, é muito mais do que ganhar ou perder uma eleição. É ser agente da sustentação de uma democracia plena, num sistema democrático que respeita nossa forma de pensar, não perguntado se estamos certos ou errados. Eles são os personagens que testemunham que vivemos num país livre que dispõe de um sagrado lugar onde depositar nossa vontade, sem qualquer tipo de ameaça.

Esses relevantes motivos permitem que nenhum candidato se sinta diminuído por não ter sido eleito. Ter colocado seu nome à mercê do julgamento público, é relevante mérito cívico colocado em defesa de todos nós.