Hotel do Campo, no distrito de Cazuza Ferreira Foto: Divulgação

Um antigo cinema do distrito de Cazuza Ferreira sediou a primeira ação do projeto de educação patrimonial “Memórias de São Francisco de Paula” que aconteceu mês março. O projeto inclui rodas de memória, minidocumentários e livro sobre três importantes bens culturais do município serrano.

O projeto “Memórias de São Francisco de Paula” tem como objetivo promover o acesso e a apropriação, pelas pessoas, do patrimônio cultural do município. Para isso foram pensadas quatro atividades envolvendo três pontos importantes para a história da região: o cinema Serrano no distrito de Cazuza Ferreira (14 de março), o Hotel Cavalinho Branco e o Lago São Bernardo (18 de abril) e a Escola Estadual José de Alencar (30 de maio), que completou 100 anos em 2019. Nesses espaços estão sendo realizados Roteiros Guiados, ressaltando curiosidades históricas e folclóricas dos locais e Rodas de Memória. Para acompanhar o projeto siga o Instagram @memoriasdesaochico.

Todas as ações serão registradas em áudio e vídeo para posterior transformação em minidocumentários e um livro que estarão disponíveis para a comunidade através da Prefeitura. Esta é uma maneira de democratizar o conhecimento sobre os bens materiais e imateriais e estimular a participação de todos nas ações de proteção e conservação do patrimônio.

O projeto “Memórias de São Francisco de Paula” é realizado pela Prefeitura Municipal de São Francisco de Paula, com recursos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio do Pró-cultura RS FAC – Fundo de Apoio à Cultura.

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira é o terceiro distrito de São Francisco de Paula, distante 122 quilômetros da sede do município. Com 560 quilômetros quadrados, o distrito, com aproximadamente 1.200 habitantes, segundo dados do IBGE de 2010, vive hoje da pecuária. O nome vem do apelido de José Ferreira de Castilhos, doador de terras para a construção de casas no local em 1.888. É o único local do Rio Grande do Sul onde ocorrem as Cavalhadas, espetáculo com mais de 120 anos, que encena a luta entre mouros e cristãos. O outro é em Pirenópolis (GO).

Entre 1953 e 1960 teve início em Cazuza Ferreira uma grande exploração madeireira, principalmente de araucárias, inclusive para exportação, no chamado ciclo madeireiro. No auge (até os anos 1970), existiram lá mais de 17 serrarias. A madeira servia para a confecção de tábuas, caibros, cabos de vassouras etc. Na década de 1970 foram criadas as primeiras leis proibindo o corte de araucárias ou o “ouro branco”, o que provocou, aos poucos, o esgotamento do trabalho e, consequentemente, o fim das empresas sediadas em Cazuza Ferreira.

Muito mais do que um hotel em Cazuza Ferreira

         A história do distrito se confunde com a do Hotel Avenida. Em abril de 1949, Antonio Machado Basso compra com o sogro Dorvalino Grillo uma pequena pensão. Lá surge um hotel com acomodação para 60 pessoas. O lugar cresce com a exploração madeireira e o hotel também. Com três andares, abrigava hotelaria, armazém, bazar e cinema, que tomou forma em 1.958 com gerador próprio e exibição de filmes que chegavam pela linha de ônibus com destaque para comédias e bang-bang. O apogeu do hotel se deu entre 1960-1970. Com as serrarias fechando surgiu o problema das quedas de energia, interrompendo as sessões de filmes e a perda de público.

Com o nome de Hotel do Campo, a edificação hoje tem um andar a menos, hospeda até 30 pessoas e abriga uma espécie de brique. O cinema já não funciona. Mas os tempos áureos do Cinema Serrano em Cazuza Ferreira serão lembrados na abertura do projeto “Memórias de São Francisco de Paula”. A ideia é promover uma sessão tradicional e trazer as lembranças da vida cultural de uma comunidade próspera, em plena época da exploração da araucária pelas serrarias.

O projeto “Memórias de São Francisco de Paula” é realizado pelo Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Francisco de Paula, com recursos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio do Pró-cultura RS FAC – Fundo de Apoio à Cultura.