Durante esses pacatos dias de fevereiro, Gramado vive seu mais típico momento anual de vinculação da cultura com o turismo: o Gramado in Concert. O evento apresenta atrações musicais que encantam o público e atraem interesse já francamente internacional, mas, para os gramadenses responsáveis pela projeção futura do município como destino turístico importante, as atrações dele vão muito além disso.

Gramado seria lugar de fisionomia comum se não fosse desenhada pela presença de visitantes. Em outros tempos, por motivos nossos, os turistas nos faltaram e a cidade passou a ser um vilarejo pobre e sem graça; mas foi reanimado, quando decidiu encaminhar de outro modo suas estratégias de sustento.

 O que chama atenção esse ano é o extraordinário tamanho que o festival alcançou. Sua solidez básica reside no fato de Gramado, pequena como é, possuir uma orquestra sinfônica completa. Gravitando na sombra de sua excelência estão envolvidas 30 oficinas-escola para 400 alunos, atendidas por 30 exponenciais professores, concursos nacionais de composição erudita e de jovens solistas, tudo acrescido pela atuação de renomados intérpretes vocais ou de execução instrumental, selecionados entre 22 estados brasileiros e de mais 14 outros países.

  Mas o lado comunitário desse festejo à música sinfônica, não fica restrito a sofisticados salões culturais. Espalha-se pela periferia da cidade e interior do território municipal, buscando cumprir o princípio de que para gostar desse tipo de música é necessário acostumar-se a ouvi-la. E, depois de seis edições, é notório o crescimento de assistentes locais em apresentações específicas.

 O extraordinário impacto do Gramado in Concert sobre o município de Gramado traduz moderna forma de se encaminhar na direção do turismo cultural, considerando-o como peça fundamental na qualificação do atual e bem-sucedido turismo de eventos. E, como os bons resultados desse comportamento turístico estão ameaçados pela compressão das multidões – o que é, ocasionalmente, perfeitamente perceptível aqui – seu encaminhamento prático na direção da cultura apresenta-se como a mais razoável via de salvação da indústria turística local.