As maiores desgraças caídas, no passado, sobre o mundo, como a ferocidade dos antigos conquistadores, a Peste Negra, as Guerras Mundiais ou as sangrentas revoluções ideológicas como as da Espanha e da Rússia, mataram milhões de pessoas em territórios, praticamente limitados à Europa. A absoluta maioria dos habitantes do mundo ficou assistindo, de camarote, as tragédias alheias, e se sentido muito confortados por não terem nada a ver com isso.

No andar da história as armas de conquista passaram a ser baseadas na ciência e na tecnologia. Os impérios econômicos daí resultantes, mormente, Estados Unidos, China, Alemanha e Japão, foram constituídos sem derramamento de sangue. E o mundo se alterou em pretensos benefícios aos moradores de qualquer lugar, de qualquer país.

Então, a infiltração das máquinas, desde o simples celular até os magníficos instrumentos espaciais, juntou as pessoas pela tecnologia, embora sacrificando, em muito pouco tempo, seculares valores morais. E quando tudo estava se equilibrando assim, chegou o corona para mudar tudo de novo. Só que ele trouxe junto uma lição.

Mas, à diferença de outros grandes desastres, a realidade está demonstrando que a corona penetrou silenciosamente na intimidade física dos seres humanos individualmente para neles despertar a solidariedade e a compreensão dos poderes do universo. Revestiu-se, desta vez, da sensibilidade de patrocinar uma catástrofe preservando a vida dos jovens, e não os usando como instrumentos de batalhas construídas por pessoas de mais idade. Agora, certamente, não morrerão os perto de 30 milhões de homens de 20 a 30 anos, como aconteceu no último conflito mundial.

Talvez, as intenções do destino, ao globalizar o sofrimento dessa forma, tenha sido despertar na humanidade valores humanitários que estavam se apagando ou cobrar dívidas provocadas pelo ódio e as clamorosas injustiças, perpetradas em antigos conflitos tradicionais. E quando alguma outra catástrofe, vestida de vírus ou de algum outro veneno, desabar sobre o planeta, as futuras gerações estarão protegidas por límpidos procedimentos humanos que milhares de irmãos pagaram com a vida para ensinar.