Quando o povoado de nome Gramado abriu os olhos, logo após nascer, a primeira visão que teve foi a figura do natal difundindo-se por entre bosques de araucária, exalando estimulante odor de flores silvestres. E essa imagem fundiu-se com sua fisionomia marcando traços claramente perceptíveis até hoje. Nasceu daí a candura de uma união entre a natureza e o céu.

Os primeiros habitantes daqui baixaram os olhares sobre a graça de uma manjedoura, santificada por uma criança descansando á sombra de uma araucária também criança, enviada dos matos para também louvar. Em místico ritual, duas gerações de gramadenses rezaram assim, criando seus filhos e vivendo sua tranquila harmonia.

Então, a terceira geração levantou os olhos e enxergou a luz. E um vislumbre de começo bíblico fez brotar tão eufórico entusiasmo que levantou a fantasia de que o calendário de Gramado não será absorvido pela fatalidade dos tempos. Mas, após cem anos de começos e recomeços, essa fantasia demostrou seguros traços de realidade.

E a contrição de tempos santificados testemunha a irrequieta e sensível moldura do aconchego com que o natal se diverte em sua casa. Ser a casa do Natal Luz resulta na comunhão da Natureza, da luz e de um povo especial. E iluminou o natal até a inigualável serenidade da arte, da alegria e dos frutos da perfeição.

Então, trinta e cinco vezes de Natal Luz reúnem as glórias da excelência com a banalidade dos números. Os natais gramadenses, com luz riscando o céu ou ovelhinhas pastando num presépio, não têm idade. Por isso, em cada começo de verão a única longínqua inquietude que cada habitante local guarda no cofre ganho de seus ancestrais, é imaginar qual a fisionomia que o Natal Luz terá no ano que marcará o fim da eternidade.