Quando o simpático mês de fevereiro gramadense fica molhado como geralmente acontece, os sorrisos se ampliam, a confiança se renova, os cálculos são refeitos e os projetos tornam-se mais promissores. A doença do pessimismo e o costume de gastar o olhar e a atenção nos defeitos das pessoas e do mundo são abafados pela elegante sonoridade do Gramado in Concert e pela alegria dos tambores carnavalescos. Então, nossos corações ficam reservados para abrigar retratos do bem em vez de problemas que não podemos resolver e que, se pudéssemos, faria muito pouca diferença.

O fevereiro gramadense, na verdade, está cheio de presenças que não se enxergam, mas que podem ser sentidas em cada esquina ou longe de qualquer uma delas: é o único ponto do calendário em que temos permissão para ficar totalmente em nossa própria presença e tão sereno ambiente / nos dá força para enfrentar a nós mesmos. Nesse momento, tanto a vaidade quanto a falsa modéstia tornam-se inúteis, por falta de alguém interessado em saber, pois o máximo das aspirações começa e termina dentro de cada um.

Nossos pensamentos solitários voam para episódios passados por nossas vidas, tão cheios de erros e acertos; tão cheios de alegrias e decepções. Quando as memórias começam a tomar jeito de saudosismo, voltamo-nos para o futuro e ficamos otimistas por uma carrada de motivos evidentes.  

Talvez alguns descrentes ou muito machucados pelo mal alheio, que tanto valorizam, concluam que a presente análise não passa de manteiga derretida. Contudo, se vestirem o uniforme do fevereiro gramadense e pedirem um lugar na caravana dos caminhadores que aproveitam a sombra que os arvoredos despejam sobre as calçadas de alguns de nossos bairros verão, à beira dos caminhos, esperanças que acenam e não pessimismo que enruga as paisagens.