Gramado dedicou esforço de gerações para ser bela ao juízo dos mais exigentes olhares.  E a coroa de motivos que nos aflige, chegou sob o patrocínio da morte, um contraste com o qual nossas sempre ternas intenções, não estão treinadas para lidar.      

Os tempos mostraram que a relação entre nós e os turistas move-se sob enriquecido sentido de fraternidade e compreensão: nós, garantimos a eles dias de descanso, ao aconchego dos atrativos de uma cidade bem cuidada e uma população que os acolhe com carinho e distinção e  eles  demonstrando grato respeito por aquilo que construímos em seu louvor. De nossa parte, nos alegramos com as compensações advindas de um dinheirinho alcançado com dignidade; eles, com a alegria de estar encaminhando suas economias a um lugar concebido para receber suas mais espontâneas e verdadeiras sensações de convívio com seus melhores tempos de saúde e confiança.    

Mas, o Covid-19 deixou Gramado entregue à lástima de ficar sozinha. O vírus custou a chegar, mas quando chegou colocou a cidade sob impiedosa injúria. Varreu nossa prosperidade, limpou o sorriso de nossas ruas, constrangeu as máquinas fotográficas e levou para dentro de lojas, hotéis e restaurantes, a surda pressão da desconfiança. E, embora nos prendendo aos mais rigorosos ditames da esperança, não temos como evitar certa desconformação com os planos do destino. Dói na alma assistir nesses tempos, obra tão bela e feita para ser abrigo das mais límpidas e ingênuas intenções, estar atirada, francamente, nos braços da tristeza. E uma comunidade inteira, escondida ao pesar de dissimuladas lágrimas, proclama: “como é triste”!     

Então, recolhemo-nos ao consolo de sabermos que nossos queridos e airosos visitantes foram atropelados por impiedosos desígnios, mas, sabemos também, que estão arrumando as malas para voltar à nossa companhia. E que, inconformados com a sepação, volta e meia aparecem por aqui para dar uma espiada em como estamos cuidando das preciosidades que atiçam sua saudade.       

E voltam animados, contando os dias em que poderão novamente entregar suas preocupações ao sempre terno refúgio dos cansados.