Romeo Ernesto Riegel – Professor

             Ver as lâmpadas apagadas, depois de olhar durante tantas noites os clarões do Natal Luz, provoca uma decepcionante sensação de desenlace. É que com o fim dessa festa, muitas coisas terminaram em nós mesmos, passamos a ter o crédito de um Natal a menos. Morreram os lindos concertos do Lago da Joaquina, morreu a música suave que saia dos postes da Avenida Borges, morreram os vagalumes que voavam das máquinas fotográficas dos turistas, morreu o sorriso no rosto dos nossos aflitos comerciantes.

            Passados os momentos nostálgicos que acompanham essa ocasião, conscientemente ressurgimos para novas realizações. Então, vem à mente o que eu escutava, com grande frequência, no tempo de estudante secundário, proferido por uma inesquecível Irmã (freira) professora: “a vida é um eterno recomeçar”. Quando era verde a ponto de me considerar sabido, dizia que tal frase não passava de refrão moralista, daqueles que os adolescentes são obrigados a ouvir toda hora. Sinto agora que essa sempre querida professora estava, carinhosamente, querendo ensinar o significado da esperança.

            Sentimos saudades de nossos filhos pequenos, mas orgulhamo-nos deles grandes, ainda mais quando nos fazem avós. Lembramos o perfume sensual da nossa noiva mas também a gratidão serena à esposa em que ela se transformou – a correspondente visão feminina vale pelo inverso. Observamos chegar ao fim muitos projetos de vida e começamos a ser castigados ou gratificados pelos resultados deles, conforme a competência, o entusiasmo e a clarividência que tivemos em certos momentos da nossa história pessoal.

            Esse clima todo pode ser muito propício para reacendermos nossa compreensão à pessoas que nos são especiais, assim como realimentar as convicções merecidas pelas causas que abraçamos. Iluminando o espírito dessa forma, teremos garantido um lugar particular e feliz para os recomeços que 2014 vai nos oferecer.