Habitantes de qualquer parte do mundo estão divididos entre o temor e a inconsciência. Os primeiros, entendem que o desastre global, que ocorre atualmente, é prenúncio de misérias ainda maiores; os segundos, que nada deles depende e que têm assuntos mais importantes com que se preocuparem.   E lágrimas do planeta escorrem, acompanhando a lástima de tão melancólico desencanto.

Na verdade, o que estamos observando é a readaptação de nosso mundo derivada das imensas modificações que os seres humanos realizaram em cima dele, e que se refletem em sua paisagem e nas entranhas genéticas dos seres vivos e no ritmo das mutações espontâneas que acompanham os passos da Natureza. Acordar as Arbor viroses foi ato sacrílego e arrogante, pretendendo impor domínio humano sobre uma das mais caprichosas minúcias da criação.

Tal interferência está encaminhando inimaginável rearranjo das formas vivas, e das formas de ganhar o pão. Entretanto nem os mais otimistas esperam que venha a reinar a mesma suavidade vigorante quando os indígenas determinavam as leis e as guerras ocorriam ao som de românticas espadas.

Trazendo essas observações para o nosso chão gramadense, concluímos que não corremos o risco de morrer afogados, mas asfixiados a um leito de UTI ou sobreviver às misérias de um caos econômico. E analisar esse assunto com tamanho rigor, pode levantar votos de descrença e argumentos para consolar consciências que não estão muito convencidas daquilo que está acontecendo.

Mas, quem sabe, promover o medo e seguir seus impulsos, seja a melhor forma de clarear o entendimento individual de que vivemos a maior catástrofe que até hoje atingiu a humanidade. E, como parte da humanidade que cada um de nós é, cabe preparar as consciências para o pior, porque para o melhor, todos estamos preparados. Claramente, essa pandemia não tem jeito de coisa pouca. Será que ela não é a forma retumbante escolhida por Deus para abrir ao mundo as portas do paraíso?