Dados os tristes efeitos da obesidade, cada vez mais sustentados por estudos científicos, animo-me a insistir no tema, ao qual me dediquei seriamente ao longo dos meus tempos de docente universitário. 

Além do lado emocional, as medidas que temos têm pouco valor com a beleza ou não, frente as avaliações que os outros fazem de nós. As pessoas que conhecemos ou que nos querem bem, continuam gostando de nós se engordamos ou emagrecemos. E os que não nos conhecem estão se lixando para o fato de sermos gordos ou magros.

Contudo, juntando qualquer conjunto de motivos, não encontramos justificativa para a trágica expansão da obesidade entre os seres humanos.  É que o excesso de peso é a segunda maior causa de mortes evitáveis do mundo, perdendo apenas para o cigarro – só que o cigarro está matando cada vez menos e a obesidade cada vez mais. E, o número de pessoas que morrem por acidentes de carro ou consumo de drogas, é muito menor do que o das que morrem por causa da obesidade.

Pelo fato de o obeso ser muito frequentemente acometido de diversas doenças, das quais o magro se escapa, a obesidade, hoje em dia, está sendo considerada a mãe legítima da hipertensão, das doenças do coração, dos AVC e das lesões articulares, entre outras. Por isso, está classificada, tecnicamente, como epidemia global e de caráter devastador.

Mas o pior de tudo isso, é que as pessoas estão achando que ser obeso é normal. Quantidade alarmante de pessoas, de todas as idades, se espremendo nas roupas como podem, consolam-se em ver tantas outras iguais e entram na moda, que já deixa mais de 60% dos gaúchos adultos obesos, ou com sobrepeso. A obesidade, então, está se estabelecendo não como doença, mas como caso de aparência física a ser tolerada e até imitada.

O trato desse assunto exige muita generosidade, porque ninguém é gordo porque quer. Ainda mais que a causa da doença é desconhecida em sua origem. Contudo, a realidade de ver essa enfermidade aceita como moda a ser seguida, é um estado de decadência tão triste quanto verdadeiro.