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Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

PADRE ARI ANTONIO SILVA – O profeta desprezado

(Mc 6,1-6)

 

14º Domingo do Tempo Comum

O ministério de Jesus foi pontilhado de experiências humanamente negativas. Nem por isso ele desanimou e se deixou levar pela tentação de interromper o exercício da missão recebida. As contrariedades começaram já em Nazaré, onde se criara. Seu ensinamento, feito com autoridade e profundidade, e seus gestos prodigiosos despertaram uma forte suspeita contra ele. Por um lado, seus conterrâneos se davam conta da sabedoria inaudita que ele possuía, como também dos milagres espetaculares que realizava. Por outro, recusavam-se a aceitar que tudo isto fosse feito por alguém, saído do meio deles. Deus não podia ter concebido tamanho poderes a uma pessoa simples do povo. E o desprezavam.

Um antigo provérbio ajudou Jesus a compreender sua experiência de rejeição. Os grandes profetas de Israel foram colocados sob suspeita e, até mesmo, vistos como inimigos do povo. O cumprimento da missão não lhes reservou aplausos e reconhecimento, mas, contrariedades, perseguições e, em alguns casos, até a morte. A perseverança dos profetas, entretanto, não dependia do humor de seus ouvintes. Eram movidos pela consciência da origem divina da missão que tinham recebido e pelo Espírito ardente colocado por Deus em seus corações. Por isso, nada era suficientemente forte para fazê-los desanimar.

Jesus refez o caminho dos antigos profetas. Seguiu adiante apesar de experimentar a rejeição.

 

Sábio e curador:

Jesus não tinha poder cultural como os escribas. Não era um intelectual com estudos. Tampouco possuía o poder sagrado dos sacerdotes do templo. Não era membro de uma família respeitável nem pertencia às elites urbanas de Séforis ou Tiberíades. Jesus era um operário da construção de uma aldeia desconhecida da Baixa Galileia.

Não havia estudado em nenhuma escola rabínica. Não se dedicava a explicar a lei. Não preocupavam as discussões doutrinais. Não se interessou nunca pelos ritos do templo. As pessoas o viam como um mestre que ensinava a entender a viver a vida de maneira diferente. De acordo com Marcos, quando Jesus chega a Nazaré acompanho por seus discípulos, seus concidadãos ficam maravilhados por duas coisas: A sabedoria de seu coração e a força de suas mãos. Era o que mais atraía as pessoas. Jesus não é um pensador que explica uma doutrina, mas um sábio que comunica sua experiência de Deus e ensina a viver sob o signo do amor. Não é um líder autoritário que impõe seu poder, mas um que transmite saúde e alivia o sofrimento.

Mas as pessoas de Israel não o aceitam. Neutralizam sua presença com todo tipo de perguntas, suspeitas e receios. Não se deixam ensinar por ele nem se abrem à sua força curadora. Jesus não consegue aproximá-los de Deus e nem curar a todos, como teria desejado. Jesus não pode ser entendido a partir de fora. É preciso entrar em contato com ele. Deixar que nos ensine coisas tão decisivas como a alegria de viver, a compaixão ou a vontade de criar um mundo mais justo. Deixar que nos ajude a viver na presença amistosa e próxima de Deus. Quando alguém se aproxima de Jesus, não se sente atraído por uma doutrina, mas convidado a viver de maneira nova.

Por outro lado, para experimentar sua força salvadora é necessário deixar-nos curar por ele: recuperar pouco a pouco a liberdade interior, libertar-nos de medos que nos paralisam, atrever-nos a sair da mediocridade. Jesus continua hoje “impondo suas mãos”. Só se curam os que creem nele.

 

A fé pode curar:

Durante muito tempo, o Ocidente quase totalmente ignorou o papel do espírito na cura da pessoa. Hoje, pelo contrário, reconhece-se abertamente que grande parte das doenças modernas é de origem psicossomática. Muitas pessoas ignoram que sua verdadeira enfermidade  encontra-se num nível mais profundo do que o estresse, a tensão arterial ou a depressão. Não se dão conta de que a deterioração de sua saúde começa a gestar-se em sua vida absurda e sem sentido, na carência de amor verdadeiro, na culpabilidade vivida sem a experiência do perdão, no desejo centrado egoisticamente sobre si mesmo ou em tantas outras “doenças” que impedem o desenvolvimento de uma vida saudável.

Seria, sem dúvida, degradar a fé cristã utilizá-la como um entre tantos remédios para ter boa saúde física ou psíquica; a razão última do seguimento de Jesus não é a saúde, mas a acolhida do Amor salvador de Deus. Mas, uma vez estabelecido isto, precisamos afirmar que a fé possui força curadora e que acolher a Deus com confiança ajuda as pessoas a viver de maneira sadia.

A razão é simples. O eu mais profundo do ser humano pede sentido, esperança, e, sobretudo, amor. Muitas pessoas começam a ficar doentes por falta de amor. Por isso a experiência de saber-nos amados incondicionalmente por Deus nos pode curar. Os problemas não desaparecem. Mas saber, no nível mais profundo de meu ser, que sou amado sempre em qualquer circunstância, e não porque sou bom e santo, mas porque Deus é bom e me ama, é uma experiência que gera estabilidade e paz interior.

 

Façamos nossa oração:

Senhor Jesus, não permitas que as adversidades nos impeçam de seguir adiante no cumprimento da missão que nos confiastes. Amém

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

 

Padre Ari Antonio da Silva

Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

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