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Colunista l romeoernestoriegel@gmail.com

Confissões natalinas

Para a minha família o natal sempre foi a festa mais importante do ano. Um pouco coisa de descendente alemão, um pouco de gramadense, mas os festejos natalinos, com seus símbolos e seus muitos sorrisos, foram plantados em meu coração ao tempo em que era menino. Então acompanhava meus pais rasparem de um minifúndio tudo o que podia ser raspado, e daí sustentarem seus filhos.

Imaginando hoje, dou-me conta que tudo aconteceu na Tapera, uma colônia pobre. No entanto, ninguém se queixava disso, ninguém reclamava da situação: é que, a rigor, só nos faltava as coisas luxuosas que não conhecíamos. Tínhamos todos os bens fundamentais (alimentação, escola, saúde, uma família organizada, etc.) os quais asseguravam, às crianças, uma vida sem medos, um crescimento alegre e livre. Aos adultos alimentava a convicção de que eram donos de sua própria dignidade. Lá não existia luz, telefone, televisão, automóvel ou outras virtudes do modernismo. Portanto, as pessoas obrigavam-se a descobrir um modo de ser gente, porque não tinham atrás do que se esconder

Depois, mudamo-nos para a sede do município e o espírito natalino taperense teve tal força, que quase não notamos a diferença. Com o tempo a materialização desta festa se alterou bastante (eu já tinha barba, meus irmãos tinham filhos, minha mãe se queixava de reumatismo), mas, em dezembro o pinheirinho se transformava em imã e, de um jeito ou de outro, todos a ele se achegavam, vindos de onde estivessem. E demonstravam nisto, um escancarado prazer. Depois que meus pais se foram, durante o natal armo minha barraca aqui ou ali. Não há programação com antecedência. Na hora minha família decide.

A verdade, é que muitas circunstâncias próprias de minha vida em Gramado, deixaram-me uma profunda cultura natalina, a qual não pude transmitir a meus filhos. Também não sei se isto lhes interessaria, pois cada geração tem lá suas próprias paixões. Assim, o natal aqui tem significado que me envolve de maneira muito específica. É um caso particular entre minha terra e eu.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Romeo Ernesto Riegel

Colunista l romeoernestoriegel@gmail.com

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