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Colunista l romeoernestoriegel@gmail.com

A bandeira e o cavalo

Para os gaúchos, o mês de setembro é o tempo de colocar flores ao pé do retrato de Bento Gonçalves. E isso deixa de ser frescura porque o retrato não está visível e as flores estão presas as suas plantas e, sacudidas pelo vento, adornam os campos e a memória do Rio Grande. É o tempo de cultivar o que somos à custa da mais notável personalidade da História rio-grandense. Além disso, é o ponto alto da consagração do cavalo como indispensável personagem no cenário cultural do Estado. E esses ingredientes constroem o Vinte de Setembro que não se costuma chamar de festa, senão de um muito bem elaborado estado de espírito.

O Vinte de Setembro sem desfile não existe e se não fosse pelos cavalos e as bandeiras que tremulam montadas na ponta da bota dos cavaleiros, a comemoração perderia em grandeza cênica e em motivação cívica. Os cascos geram o ruído que prestigia a terra e as bandeiras o símbolo de mais uma geração que continua fiel aos valores farroupilhas. O caminhar dos animais riscando o asfalto e os estrépitos de bandeiras assopradas pelo vento, aparecem como convites públicos a reflexões históricas acopladas a tempos contemporâneos. Da mesma forma é imagem e som inspirador de poetas, músicos e cronistas, desafiando a alma dos nossos intelectuais mais sensíveis.

Além disso, destaca, ano após ano, a condição rio-grandense de baluarte sul de nosso país. Pois foi por cavalos e bandeiras conduzidos por conterrâneos de outros tempos, que foram traçados os limites do Rio Grande do Sul, que sozinho é maior do que muitos países da América Latina.

Nos dias de hoje, longe de qualquer vestígio de rancor, reparte com os vizinhos castelhanos seu modo de viver, de cantar, de trabalhar e de viver a paz. E numa linguagem misturada tanto lá quanto cá, nós e eles criamos uma irmandade internacional, sem comparação com quaisquer outras partes da América latina.

E quando assim pensamos alimentamos a convicção de que a Semana Farroupilha é acontecimento sério, repleto de motivos muito conscientes. É reserva patriótica que, cultivando a fidelidade aos seus antepassados, abriga-se na direção de um porvir que espera ser dignificado, pelas futuras gerações, por aquilo que também hoje continuamos construindo.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Romeo Ernesto Riegel

Colunista l romeoernestoriegel@gmail.com

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