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Colunista l romeoernestoriegel@gmail.com

O lixo e o automóvel

O lixo urbano é um tema que, além de gozar de  natural antipatia, demora a sensibilizar os dirigentes públicos porque costuma ficar escondido e, então, torna-se instrumento de pouco estímulo eleitoral, o mesmo acontecendo com os investimentos em cemitérios. O automóvel, por outro lado, não tem como ser dissimulado e, geralmente, é a máquina dos nossos sonhos.

A prova de que assim é, está no gasto de fortunas do dinheiro público construindo estradas e  tostões criando usinas de tratamento de lixo. Aturamos as moscas dos lixões, mas não solavancos em nossos carros, preferindo mesmo ficar sem calçadas para que eles tenham ruas de boa qualidade. Então os lixos de casas ou de empresas e os automóveis são duas formas iguais de poluição urbana, só que uma a repugnância esconde e a outra o exibicionismo consagra: são lixos de cheiros diferentes.

. Por aqui, novos prédios, alguns criando desenhos macabros sobre a harmonia paisagística da cidade, consagram sua vulgaridade em apartamentos cada vez menores e garagens cada vez maiores e mais sofisticadas. As ruas viram entulhos de rodas e brilhos de último tipo, enquanto ficamos repetindo a mesma conversa inútil de soluções que esperamos que os outros encontrem.

Mas em Gramado, onde a cordialidade com os estranhos que aparecem é assunto de ganha-pão, amenizamos os percalços e damos preferência  de trânsito aos pedestres, ao transformarmos as faixas de segurança em cartão postal de honra, de orgulho e de distinção. E, talvez,  para mostrarmos pelo menos uma ação concreta em relação a esses dois notáveis perturbadores de nossas consciências, poderíamos separar bem nosso lixo doméstico e sermos mais cordiais com os transeuntes e colegas de congestionamento.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Romeo Ernesto Riegel

Colunista l romeoernestoriegel@gmail.com

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