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Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

Em busca do “mais”!

(Mt 13,44-52)

17º Domingo do Tempo Comum

O tesouro descoberto por acaso e a pérola preciosa encontrada após uma longa busca indicam uma postura indispensável para quem se faz discípulo do Reino: capacidade de abrir não do que lhe parecia ser valioso – a riqueza acumulada – para ficar apenas com o que é fundamental, o verdadeiramente necessário. Surge, então, uma questão implacável: vale a pena?

A disposição para obter o “mais” choca-se muitas vezes com o que é “menos”. Neste sentido, o discípulo necessita de muita audácia para que o apego ao “menos” não impeça de adquirir o que é “mais”. É a audácia do agricultor que encontrou o tesouro e do comerciante em busca de uma pérola preciosa. Eles venderam tudo quanto possuíam, e que haviam conseguido à custa de longos e penosos anos de trabalho e esforço, para adquirir apenas um bem: o primeiro, o campo onde se escondia o tesouro, e o segundo, uma única pérola. Sabiam, porém, como tantas outras. Ao dar-se conta do valor incomensurável do bem a ser adquirido e da chance que tinham diante de si, não hesitaram em se decidir.

A “aquisição” do Reino exige do discípulo abrir mão de tantas coisas tidas como valiosas, mas que são um bem menor, se comparadas com ele. Afinal, o Reino é próprio Deus desejoso de fazer-se senhor de cada pessoa e da história humana.

 

Descobrir o projeto de Deus é o desafio para ser feliz

Entre nós, muita gente está abandonado a religião sem ter saboreado Deus. Em entendo essa gente. Eu faria o mesmo. Se uma pessoa não descobriu um pouco a experiência que Jesus vivia, a religião é um tédio. Não vale a pena. Por outro lado, é triste encontrar tantos cristãos cuja vida não está marcada pela alegria, pelo assombro ou pela surpresa de Deus., e nunca esteve. Vivem encerrados em sua religião, sem ter encontrado nenhum tesouro. Ente os seguidores de Jesus, cuidar da vida interior não é uma coisa a mais. É imprescindível para viver abertos à surpresa de Deus.

Se formos olhar para trás veremos que nunca foi fácil crer em Jesus. Alguns sentiam atraídos pro suas palavras. Em outros, pelo contrário, surgiam não poucas dúvidas. Seria razoável seguir a Jesus, ou seria uma loucura? Hoje acontece o mesmo: vale a pena comprometer-se em seu projeto de humanizar a vida, ou é mais prático ocupar-nos com o nosso próprio bem estar? Neste interim, pode nossa vida passar sem tomarmos uma decisão? Veja que Jesus conta duas parábolas. Em ambos os casos, o respetivo protagonista e se encontra com um tesouro sumamente valioso ou com uma pérola de valor incalculável.

O Reino de Deus está “oculto”. Muitos não descobriram ainda o grande projeto de Deus para o mundo novo. Mas não é um mistério inacessível. Está “oculto” em Jesus, em sua vida e em sua mensagem. Uma comunidade cristã que não descobriu o Reino de Deus, não conhecer bem a Jesus, não pode seguir seus passos. A descobrir de Deus muda a vida de quem o descobre. Sua “alegria” é inconfundível. Encontrou o essencial, o melhor de Jesus, o que pode transforar sua vida. Se nós cristãos não descobrimos o projeto de Jesus na Igreja não haverá alegria.

 

Buscar a Deus  

Não basta buscar a Deus por fora: nos livros, nas discussões ou no debate. Uma coisa é “discutir religião” e outra bem diferente é buscar a Deus com coração sincero. A própria pessoa se dá conta quando está fugindo de Deus e quando está buscando a Deus de verdade. Santo Agostinho dizia assim: “Não te disperse”. Concentra-te em tua intimidade. A verdade reside no ser humano interior.

Buscar A Deus exige esforço, mas encontrar-se com Ele não é nunca resultado de um voluntarismo fanático, ne de uma rigorosa ascese. Deus é um dom, e o importante é acolhê-lo com “simplicidade de alma”. Recordemos a reflexão da velha priora no Diálogo das Carmelitas, de Georges Bernanos: “Uma vez saídos da infância, temos de sofrer muito para voltar a ela, como só depois de uma longa noite torna  a aparecer a aurora. Será que voltei a ser criança de novo?”. O mais acertado não é buscar a Deus apoiando-nos só nas nossas próprias intuições. Buscar a Deus não gera tristeza nem amargura, ao contrário, gera alegria e paz, porque a pessoa começa a descobrir onde está a verdadeira felicidade. Lembremo-nos de Santo Agostinho quando disse: “Só o que faz o homem ser bom pode fazê-lo feliz”.

Mais do que nunca precisamos rezar, fazer silêncio, livrar-se de tanta pressa e superficialidade, deter-nos diante de Deus, abrir-nos com mais sinceridade e confiança a seu mistério insondável. Não se pode ser cristão por nascimento, mas por uma decisão que se alimenta na experiência pessoal de cada um.

 

Façamos nossa oração:

Querido Pai do céu, nosso grande anseio é nos deixar ser o Senhor de nossas vidas. Faze-nos suficientemente audaciosos para renunciar a tudo quanto nos afasta deste objetivo. Amém

Padre Ari Antonio da Silva

Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

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