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Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

Deixai crescer um e outro até a colheita

(Mt 13,24-43)

16º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho desse domingo nos quer mostrar que a vida é mais do que aquilo que se vê. Enquanto vamos vivendo de maneira distraída, sem captar nada de especial, algo misterioso está acontecendo no interior da vida. É com esta fé que Jesus vivia: não podemos experimentar nada extraordinário, mas Deus está atuando no mundo. Sua força é irresistível. É só com o tempo que se pode ser o verdadeiro resultado. É preciso, sobretudo, fé e paciência para contemplar a vida até o fundo e intuir a ação secreta de Deus.

A parábola que mais surpreendeu talvez tenha sido a da semente de mostarda. Ela é a menor de todas as sementes, como a cabeça de um alfinete, mas com o tempo se converte num belo arbusto. Todos podem ver bandos de pintassilgos abrigando-se em seus ramos. Assim “é o Reino de Deus”.

O desconcerto foi geral. Não era assim que falavam os profetas. Ezequiel comparava Deus com um “cedro magnífico”, plantado numa “montanha elevada e excelsa”, com uma ramagem frondosa que servia de abrigo a todos os pássaros e aves do céu. Para Jesus a verdadeira metáfora de Deus não é o “cedro” que faz pensar em algo grandioso e poderoso, mas “semente de mostarda” que sugere o pequeno e insignificante.

Para seguir a Jesus não é preciso sonhar com  coisas grandiosas. Que seus seguidores busquem uma Igreja poderosa e forte que se imponha às, é um erro. O ideal não é o exaltado cedro no cume da montanha, mas o arbusto  de mostarda que cresce junto aos caminhos e acolhe os pintassilgos. Deus não está no êxito, no poder ou na superioridade. Para descobrir sua presença salvadora, devemos estar atentos ao pequeno, ao comum e cotidiano. A vida não é só aquilo que se vê. É muito mais. Assim pensava Jesus.

 

A força transformadora do fermento:

O que Jesus repetia constantemente é isto. Deus já está aqui tratando de transformar o mundo; seu reinado está chegando. Não era fácil crer nisto. As pessoas esperavam algo mais espetacular. Onde podiam captar o poder de Deus impondo por fim seu reinado?

Com o Reino de Deus acontece o mesmo que sucede com o “fermento” que uma mulher “mistura” na massa de farinha para que “tudo” fique fermentado. Esse é também o modo de agir de Deus. Ele não vem impor poder de fora de seu poder, como o Imperador de Roma, mas vem transformar a vida a partir de dentro, de maneira calada e oculta. Assim é Deus: não se impõe, mas transforma; não domina, mas atrai. E assim devem também atuar aqueles que colaboraram em seu projeto, como “fermento” que introduz no mundo sua verdade, sua justiça e seu amor de maneira humilde, mas com força transformadora.

Nós seguidores de Jesus não apresentar-nos nessa sociedade como “de fora”, tratando de impor-nos para dominar e controlar aqueles que não pensam como nós. Não é essa a forma de abrir caminho ao Reino de Deus. Devemos viver “dentro da sociedade, compartilhando as incertezas, crises e contradições do mundo atual, e trazendo nossa vida transformada pelo Evangelho”.

Por outro lado, temos que aprender a viver nossa fé “em minoria” como testemunhas fiéis de Jesus. O que a Igreja não precisa é de mais poder social ou político, mas de mais humildade para deixar-se transformar por Jesus e poder ser o fermento de um mundo mais humano.

 

Façamos nossa oração:

Querido Pai do céu, reveste-nos com o dom do discernimento e a virtude da paciência que nos predisponha a superarmos as dificuldades que o Maligno coloca em nosso caminho. Amém.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Padre Ari Antonio da Silva

Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

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