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Colunista l casagrandegilneiricardo@gmail.com

Circolos Trentinos

A matriarca dos circolos trentinos no Brasil levou o nome de “Associazione Trentini Nel Mondo”, fundada em 1957 em São Paulo, Capital. Em 1975, por ocasião das comemorações do 1º Centenário da colonização italiana no Estado do Rio Grande do Sul surgem agremiações com o nome de Circolo Trentino que teve no seu cerne a função de tornar a região do Trento, It., mais ativa dentro do parlamento italiano politicamente falando já que Trento é uma província autônoma no solo italiano. O cenário deste movimento era tornar os descendentes desta região, cidadãos italianos. Foi um alvoroço que no fim deu certo mesmo ocorrendo divisões dentro da mesma família. Mas isso é uma outra discussão.
Após muita espera o “passaporto rosso” apareceu.

É inegável que seu movimento é ondular, às vezes atingiram o topo da lista, às vezes nem tanto. Iguais em suas estruturas existem outras, outras e outras de várias etnias espalhadas pelos continentes, cada uma buscando cooptar, catalogar e sistematizar informações daquilo que é possível dentro da sua linhagem e da sua historicidade.

 

O imigrante e suas cartas

Arrisco a afirmar que a etnia judaica seja a que mais amealhou correspondências, algumas chegaram ao destino, outras sequer saíram dos correios ou dos bolsos do mediador. Esse foi um dos nefastos papéis da 2ª GM. Acreditem, uma correspondência é a fotografia do seu autor. Se o imigrante pobre e analfabeto que semeou milho no solo riograndense soubesse escrever, nossa História seria muito diferente. Porém, mesmo assim construímos o que construímos e nos orgulhamos disso. Destino ou simplesmente coincidência, hoje acabei de ler a obra de Sebastião Fonseca de Oliveira, ” Antigos Povoadores de Gramado” e lá encontrei um relato de Bruno Emílio Muller que jogava um bilboquê que me fascinava quando criança. Um relato de vida que despertou uma memória de infância. Quer riqueza maior?

O imigrante italiano, que partiu do norte da Itália por sua natureza era analfabeto e miserável, e sobrevivia dos “restos” do sistema feudal não fazia mais do que rezar, ou em latim ou num emaranhado de sílabas, formadoras do dialeto. O que sabia ler e escrever prestava auxílio às vezes em troca de algum suprimento. Enquanto os germânicos, que tinham em seu meio o Pastor, que na maioria das vezes era também o pai de família e o professor o italiano não teve a mesma sorte e a Igreja Católica, Instituição que poderia auxiliar ou fazia vistas grossas ou na pior das vezes se negava por não haver contraprestação. Contudo, há exceções que apontam para este auxílio algumas muito próximas de nós.

 

 

Riqueza jogada fora  – Na mesma proporção do analfabetismo, nascia no meio do imigrante, uma das maiores riquezas que é a tradição oral do fato, passado de geração a geração, dos curiosos fatos do cotidiano, fossem dos momentos felizes ou não. Quantos de nossos antepassados morreram com verdadeiras preciosidades do seu cotidiano que por não terem sido “provocados” a recontar e quantos de nós, deixamos, já alfabetizados de fazer esse registro? Com esta falta de benevolência do passado, busca-se a garimpar fragmentos que possam formar um todo (mesmo que incompleto), que verdadeiramente nos representa.

Somos falhos com a tradição oral, ou por não entender o cotidianos dos nossos nonnos e nonnas ou por vergonha pois do pouco que nos deixaram de bens materiais a riqueza da oralidade foi jogada fora. Não soubemos fazer da tradição oral uma moeda de troca. Por todos estes caminhos eu passei quando rastreei os depoimentos de cerca de 115 pessoas, em sua grande maioria moradores das colônias, descendentes de italianos. A pergunta que fica é – Se você lembra do que seu antepassado falou, por que não escreveu?

Os Circolos Trentinos têm um papel preponderante nesta busca e reconstrução do passado. Nas terras de Gramado mesmo com tudo oque já foi levantado, ainda é pouco. Somos uma vertente humana predisposta ao sucesso, soubemos construir bens materiais de todas as vertentes, aprendemos a encantar o paladar de quem nos desafia, estamos entre os destinos mais bem colocados em diversas frentes turísticas, porém ainda somos fracos e as vezes insolentes em trazer para o presente a riqueza guardada nas memórias. Um depoimento às vezes vale muito mais que uma grama de ouro.
Porém chegaremos lá!

Para quem (ainda) não conhece Pedro Andreis, deve trazer à memória o restaurante Nonno Mio. Sem medo de errar, Pedro além de passar pela presidência de todas as organizações civis que contribuem para que Gramado mantenha a sua elegância, destinou grande parte de sua vida servindo clientes e ao mesmo tempo, se servindo de histórias, algumas delas publicadas. Para quem o conhece, temos a certeza de que escreverá enquanto presidente do CIRCOLO TRENTINO DI GRAMADO outra página de sua história de vida e da sua cidade. Ao seu lado estarão, como referido acima, Pedro Andreis, presidente – Luís Felipe Cardoso Masotti vice-presidente – Jorge Coser, tesoureiro – Luiz Carlos Muraro, segundo tesoureiro – Jorge D. Mezzomo, secretário – Roberto Santini, patrimônio – Alexandre Bezzi e Zilo Abramo Foss, Fiscal e Gilnei Ricardo Casagrande – Cultura. Esse é o novo movimento histórico social da cidade

Facciamo un bel lavoro!

Casagrande

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Gilnei Casagrande

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