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Colunista l casagrandegilneiricardo@gmail.com

Construção do Cine Embaixador – Parte 1

Palácio dos Festivais: Um desfio comunitário

 

Entramos num período em que a fumaça branca, assim como no Vaticano, trará a notícia de que o Festival de Cinema de Gramado, será contemplado com a LIC – Lei de Incentivo à Cultura ou, estaremos sendo colocados a prova mais uma vez, para ver do que somos capazes. A Dança das cadeiras deu seu start.

Gramado é uma cidade arrojada, determinada entre outros adjetivos para encontrar  uma saída nobre e que reflita o título cinematográfico que carrega há meio século, aliás o mais longevo, considerando que nunca houve interrupções, como os que ocorrem no solo europeu.

 

Esse imbróglio talvez seja o momento para refletirmos sobre o que foi criado ao longo dos anos.

Quando o Festival de Cinema foi declarado como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio Grande do Sul através da Lei nº 12.529, de 06.06.06, alí, neste gesto Legislativo, houve o batismo solene de que este evento cinematográfico não poderia ser relegado a segundo plano.

Pergunto-me se o “alto comissariado”, responsável por esta rubrica cultural, estará apto a carregar o peso desta decisão? O tempo mostrará!

 

Temos que considerar que o manto deste ordenamento legislativo atingiu cada um dos cidadãos gramadenses sejam os do passado, sejam os que hoje estão na frente de trabalho –  que nunca pouparam esforços para fazer bem seus ofícios em todos os setores. A máquina geradora de divisas deu orgulho ao gramadense e essa responsabilidade devemos a nós e à mídia nacional que vinha e lotava calçadas, hotéis e restaurantes. Foi um dos grandes momentos em que mostramos ao Brasil o quanto nos orgulha a Hospitalidade às vezes representada num sorriso, às vezes no abrir de uma porta ou o gesto para que alguém ocupasse uma cadeira em algum restaurante. Para os homens públicos, aplausos

Para quem assimilou a magnitude dos primeiros anos, perceberá que o Festival de Cinema foi um dos melhores e mais profícuos movimentos sócio culturais ocorridos nas terras de Gramado, mas mesmo assim, há mais estudos do evento fora de nossas divisas geográficas do que em nossa biblioteca. É uma contradição? – Sim, é uma curiosidade que ainda pergunto seus motivos e as suas razões. Mesmo assim, é inegável que o Festival de Cinema é uma divisa cultural, social e econômica para Gramado.

É inarredável o fato de que a cada evento destinávamos o olhar especial às fotografias publicadas na mídia ou nos noticiários televisivos, para ver se alguém conhecido estaria, mesmo que em segundo plano, nos representando.

Trabalhamos demais em todos os sentidos.

 

 

 

Contudo estas turbulências são mais antigas do que aparentam ser.

Retornamos ao dia 25 de março de 1963. O espaço e a tela cinematográfica pertencia família Pascoal havia anos e fechou suas portas por não apresentar mais o avanço tecnológico necessário à projeção de filmes. Assim, de 1963 até ao início dos anos setenta nos contentávamos com uma escapada a Canela.

Gramado já tinha no ar o perfume do desenvolvimento iniciado com a Festa das Hortênsias evento que entregou aos futuros administradores públicos e a sociedade civil uma responsabilidade que se desdobra ainda hoje.Foi em meio a todo este movimento que Arno Michaelsen, segundo prefeito de Gramado, criou o Conselho Municipal de Turismo, com a prerrogativa de alinhar o processo turístico em todos os sentidos. Na primeira Ata deste colegiado, consta:

“Ata nº 01 de 25 de março de 1963, – os membros do COMTUR, reúnem-se na sala da Câmara de Vereadores de Gramado cedida presidente  o Prof. e vereador Pedro Gomes da Silveira. A pauta não só oficializou o encerramento das atividades do cinema como abriu uma nova janela de investimento até então jamais imaginado.

“Uma cidade de turismo, sem cinema não é possível” soou pelo recinto. ” Deve ser tomada logo uma iniciativa e entrar em contato com o Sr. Maury Pascoal”, sugeriu outro participante da reunião.  Tamanha foi a repercussão sobre o encerramento do cinema que nova reunião foi marcada (extraordinariamente) para o dia seguinte, dia 26. Este encontro extraordinário tinha como meta “deliberar sobre o importante assunto” ou seja um novo atrativo deveria ser colocado em prática. Nesta reunião estiveram presentes os Srs. Kurt Mentz, presidente do COMTUR, Arno Michaelsen, Prefeito Municipal, Oscar Knorr, Remy Henrique Zatti e Beno Ruschel, conselheiros. Secretariou essa reunião Eidel Rudi Schwingel.

Cronologicamente esta segunda fase da implantação de um novo cinema em Gramado, em março pretérito completou 60 anos. Esse episódio registra um fato de máxima importância que é a criação de uma ” Sociedade Anônima com títulos menores e maiores, que todos os gramadenses possam tomar parte nesta iniciativa…”

 

Um roteiro que levou anos…

A Ata nº 02 diz que às dezessete horas e vinte minutos do dia 26 de março de 1963, nas dependências da Câmara Municipal, se fizeram presentes os Senhores Kurt Mentz, presidente do COMTUR, Arno Michaelsen, prefeito Municipal Oscar Knorr, Remy Henrique Zatti. Presentes ainda os convidados, que assinantes desta mesma Ata: Maury Pasqual, Ervino Ilges, João Romeu Dutra e Horts Volk. A reunião foi secretariada por Eidel Rudi Schwingel.

 

Ata nº 02 de 26.03.1963. Acervo privado. Curadoria: Gilnei Casagrande.  Proibida a reprodução total ou parcial.

 

Neste fragmento histórico há o depoimento de Maury Pascoal, “para dar continuidade das atividades cinematográficas não mais existem filmes e o aparelho já estava prometido para uma pessoa de Porto Alegre.” De pouco ou nada adiantou este encontro pois a pretensão de não mais haver uma casa cinematográfica em Gramado já estava sacramentada.

Em breve mais curiosidades sobre a construção do Cinema.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Gilnei Casagrande

Colunista l casagrandegilneiricardo@gmail.com

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