skip to Main Content

Colunista l casagrandegilneiricardo@gmail.com

Gentil Bonato – Uma Frente na Defesa do Agricultor

Metade dos Gramadense com menos de cinquenta anos terão certa dificuldade para lembrar Gentil Bonato, que completaria em julho 81 anos. Formou-se em  Geografia pela Universidade de Caxias do Sul, 1971 e a convite do prefeito José Francisco Perini, passou  grande parte da sua vida ao magistério e na defesa das melhorias materiais e humanas do homem do interior, às colônias de Gramado. Em 32 anos do evento Festa da Colônia, Gentil Bonato nunca subiu ao palanque de abertura visto ter falecido antes do primeiro evento ou fora lembrado de forma merecida em qualquer das edições posteriores. Uma lástima para todos na medida em que as terras e as famílias das zonas rurais de Gramado já eram conhecidas na América Latina e Europa muitos anos antes do consagrado Festival de Cinema, do aplaudido Natal Luz entre outros eventos que gravitam pela cidade. Se Gentil Bonato não promoveu um metro de asfalto, em sua jornada sementes foram jogadas por entre as escarpas e que hoje estamos, orgulhosamente, festejando.

 

Diplomação em Geografia – UCS/1971

 

Gentil Bonato se dedicou ao homem rural com um afinco singular. Foi responsável pela divulgação do cooperativismo, participou ativamente na fundação do Sindicato Rural do Município do Gramado, foi presidente da Cooperativa Planalto, levou ao universo rural recursos necessários básicos de saúde, entre tantos outros feitos como o Projeto Rondon lutou, junto com sua esposa Izete Preto Bonato, professora municipal, pela permanência do agricultor em seus habitats. Há fartos registros de palestras, reuniões, audiências públicas e dinâmicas de trabalho com este objetivo, evitar o êxodo rural  – acontecimento social, econômico e cultural que contribuiu de forma questionável, entre as décadas de 50,60,70 e meados dos anos oitenta que se estende até hoje. O Brasil ainda levará décadas para administrar e recuperar os cinturões de miséria que circundam as grandes metrópoles onde o êxodo rural teve sua parcela de contribuição.

 

Folha da Tarde de 20.02.’975.

Proibida a reprodução total ou parcial. Acervo familiar.

Curadoria Gilnei R. Casagrande

 

Já pincelei em outras postagens que nossas colônias entraram numa rota de colisão com o sistema motivado por inúmeras fatores como o crescimento das famílias, frente a produção primária, exclusivamente de subsistência que dependia do tempo e das prédicas contra pragas naturais para gerar um excedente e formar uma poupança.

Gentil e Izete não pouparam esforços. Ligados a Pastoral  da Igreja Católica com os objetivos similares chegaram a FIMARC  – Federation Internationale des Mouvements D’adultes Ruraux Catholiques promovido pela Federação Internacional Movimentos Adultos Rurais em Montevidéo, ponto de partida para apresentar as realidades do interior de Gramado. Participou da Assembléia Mundial a convite da FIMARC em Roma. Participou de estágios sobre Educação Rural, Cooperativismo, Sindicalismo, Economia Rural realizados na Itália, França, Bélgica, Holanda, Suiça, Alemanha e Portugal. No solo frances participou do Movimento Leigo Creditens Dans Le Monde Houjourdu’r. Integrou a Reunião Executiva realizada em Paris. Participou da Assembleia Mundial – FIMARC – com direito a voto da Declaração da Europa, América Latina, Ásia e África de estudos sobre a pessoa Humana e sua atuação em Movimentos Rurais em Valência,ES.

 

Atestados presenciais emitidos pela CMR

Mouvement Chrètiens dans Le Monde Rurale

Proibida a reprodução total ou parcial.

Acervo familiar

Curadoria: Gilnei Casagrande

 

Bonato, era um homem além de seu tempo, um visionário, com ímpeto de oferecer ao homem das regiões rurais, o bem estar. A farta documentação sobre o personagem sublinham estas características sempre voltadas a melhorias do “outro”, daqueles cujas vozes possuíam timbre e sonoridade diversa do homem urbano. Participou como Dirigente da Juventude Agrária entre os anos de 1.962 a 1.965. Foi Organizador, Promotor e Participante do IIIº Encontro Estadual de Trabalhadores Rurais – FAG e FETAG – defendendo a Educação Rural e o Cooperativismo no Mundo Rural 15 a 17.02.1965. Por três anos 07.1963 a 12.1966, foi assessor Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gramado. Entre 21.01.1968 a 31.12.1973, foi responsável pela Região Sul do Brasil junto aos Movimentos Adultos Rurais, órgão criado para estimular movimentos sociais rurais. Foi presidente da Associação dos Proprietários dos Moinhos Coloniais de 09.04.1974 a novembro de 1976. Dentro do universo das colônias presidiu a Cooperativa de Consumo Planalto no período de 01.05.1967 a 05.06.1977, entre outros grande feitos realizados a partir do seu ingresso no governo municipal de José Francisco Perini. Seja no magistério seja nas siglas defendidas em favor de ações destinadas ao homem rural Gentil Bonato deveria ter seu nome sublinhado como homem defensor das riquezas socioculturais do interior de Gramado.

A historiografia do município de Gramado vai muito além. Há muitos acontecimentos que fazem parte da vida da cidade. A importância do diálogo com o passado revela qualitativamente as bases da geopolítica do interior do município e devem ser tratadas assim como o são as revelações quantitativas dos bolinhos da batatas, por exemplo.

 

Casagrande

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Gilnei Casagrande

Colunista l casagrandegilneiricardo@gmail.com

Essa matéria tem 0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


The reCAPTCHA verification period has expired. Please reload the page.

Back To Top