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Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

Uma experiência fascinante

(Mt 17,1-9)

2º Domingo da Quaresma

A contemplação de Jesus transfigurado foi uma experiência fascinante na vida dos três discípulos escolhidos pelo Mestre para subirem com ele ao alto do monte. Neste lugar carregado de simbolismo (a montanha era tida como o lugar privilegiado de encontro com Deus) puderam contemplar Jesus transfigurado, revestido de glória e majestade, e “vê-lo” no fulgor de sua santidade.

A transfiguração foi, de certo modo, uma antecipação da ressurreição. Depois de ressuscitado, o esplendor de sua glória já não fulgiria, por pouco tempo, para um grupo seleto de discípulos. Pelo contrário, não só poderia ser contemplada por todos os discípulos, como também deveria ser proclamada a todos os povos da Terra. A ordem de guardar segredo (não dizer a ninguém a respeito da visão) perderia a razão de ser.

Contudo, a contemplação do Ressuscitado haveria de ser precedida por uma experiência aterradora: a ver o Messias Jesus pendente na cruz. O fascínio daria lugar ao pavor e à estupefação, porque a morte de cruz não encontraria explicação, uma vez que o Mestre sempre dera mostras de ser um homem justo e, em sua pregação, falara de Deus como um Pai amoroso e fiel.

Só quem fosse capaz de superar o impacto da cruz e reconhecer no Crucificado o Filho de Deus, chegaria a reconhecê-lo fascinantemente ressuscitado.

Jesus revela em si mesmo o termo de nossa vocação, na medida em que nós nos unimos a ele pela obediência à autoridade de sua palavra, pela adesão da fé. Assim, nossa vida não é posição adquirida, mas caminho, dinamizado por uma vocação cujo termo, embora ainda escondido, já é revelado em Jesus Cristo. Nossa adesão a ele nos move de etapa em etapa. Sua glória é a luz que ilumina o caminho que nós somos chamados a percorrer. A sequência da predição da Paixão (Mt 16,21-23) e da transfiguração de Jesus (17,1-9) projeta para nós esse caminho: “pela cruz à glória”. A lógica de Deus entra em choque com o mundo, que só quer conquistar e dominar, mas é vitoriosa em quem é fiel.

Para essa caminhada é preciso que sejamos alimentados com a Palavra que nos vem através do Filho Amado (escutai-o). Assim, com o olhar da fé purificado, participaremos já na terra da realidade eterna de Deus mesmo.

 

Façamos nossa oração:

Querido Pai, que nós sejamos capazes de contemplar a cena patética de Jesus pendente na cruz, sem nos deixar abater pela estupefação, para poder contemplá-lo glorioso na ressurreição. Amém.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Padre Ari Antonio da Silva

Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

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