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Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

Prontos para receber o Senhor

(Mt 24,37-44)

1º Domingo do Advento.

O tempo do litúrgico do Advento convida-nos à preparação para acolher o Senhor que vem. O apelo insistente da Igreja questiona a tendência dos cristãos a serem acomodados, quando não contaminados pela mentalidade mundana, centrada na busca desenfreada do prazer e na consecução de interesses pessoais.

Desconhecendo o dia e a hora em que o Senhor virá, o discípulo deve estar sempre pronto para recebê-lo. A prontidão cristã é festa de pequenos gestos de amor, na simplicidade do quotidiano. Nada de ações mirabolantes nem de tarefas heróicas a serem cumpridas! Exige-se do discípulo apenas amor sincero e gratuito a Deus e ao próximo.

O episódio bíblico acerca da figura de Noé e do dilúvio ilustra a atitude contrária àquela do discípulo do Reino. A devastação diluviana tomou de surpresa a humanidade. Ninguém, além de Noé e de sua família, deu-se conta do que estava para acontecer. Por isso, comia-se, bebia-se e se celebravam bodas, na mais total ignorância da fúria destruidora da natureza que se abateria sobre a Terra.

O Senhor espera encontrar os discípulos do Reino vigilantes, quando se sua chegada. A menos desatenção pode revelar-se perigosa. Por isso, o egoísmo jamais poderá ter lugar no coração de quem quer ser encontrado pelo Senhor. Só existe uma maneira de preparar-se para este momento: amar.

 

Um juízo surpreendente:

As fontes não admitem dúvidas. Jesus vive voltado para aqueles que vê necessitados de ajuda. É incapaz de passar ao largo. Nenhum sofrimento lhe é alheio. Identifica-se com os mais pequenos e desvalidos e faz por eles o que pode. Para Ele, a compaixão é o primordial. O único modo de parecer-nos com Deus: “Sede compassivos como vosso Pai é compassivo”. Não deveríamos estranhar que, ao falar do juízo final, Jesus apresente nossa identificação com Ele. Como então surpreender-nos que se apresente identificado com todos os pobres e desgraçados da história?

O evangelista não se detém propriamente a descrever os detalhes de um julgamento. O que ele destaca é um duplo diálogo que lança uma luz imensa sobre o nosso presente, e nos abre os olhos para ver que, em última análise, há duas maneiras de reagir diante dos que sofrem: compadecer-se e ajuda-los ou fazer-nos de desentendidos e abandoná-los.

Quem fala é um juiz que se identifica com todos os pobres e necessitados. “Cada vez que ajudastes a um desses meus pequenos irmãos, a mim o fizestes”. Aqueles que se aproximam para ajudar a um necessitado, aproximaram-se dele. Por isso estarão junto com Ele: “Vinde benditos de meu Pai”. Depois dirige-se aos que viveram sem compaixão: “Cada vez que não ajudastes a um destes pequenos, deixastes de fazê-lo a mim”. Aqueles que se afastaram dos que sofrem, afastaram-se de Jesus. É lógico que agora lhe diga: Afastai-vos de mim”. Segui vosso caminho.

Nossa vida está sendo julgada agora mesmo. Não há que esperar nenhum julgamento. É agora que estamos nos aproximando ou afastando dos que sofrem. É agora que estamos nos aproximando ou nos afastando de Cristo. Agora estamos decidindo nossa vida.

 

O decisivo não é a religião:

A parábola do ”juízo final” é, na verdade, uma descrição grandiosa do veredicto final sobre a história humana. Não é fácil reconstruir o relato original de Jesus, mas a cena nos permite captar a “revolução” que introduziu na orientação do mundo.

Ali estão pessoas de todas as raças e povos, de todas as culturas e religiões. Vai ser ouvida a última palavra que esclarecerá tudo. Dois grupos vão emergindo daquela multidão. Uns são chamados a receber a bênção de Deus: são os que se aproximaram com compaixão dos necessitados. Outros são convidados a afastar-se: são os que viveram indiferentes ao sofrimento dos outros. O que vai decidir a sorte final não é a religião na qual viveram, nem a fé que confessaram durante sua vida. O decisivo é viver com compaixão ajudando a quem sofre e necessita de ajuda. O que se faz a pessoas famintas, imigrantes, indefesos, enfermos, desvalidos ou encarcerados esquecidos por todos, está sendo feito ao próprio Deus, encarnado em Jesus. A religião mais agradável ao Criador é a ajuda ao que sofre.

Na cena evangélica não se pronunciam grandes palavras como “justiça”, “solidariedade” ou “democracia”. Todas essas pouco importam, se não houver ajuda real aos que sofrem. Jesus fala de comida, roupa para vestir, algo para beber, um teto para abrigar-se. Também não se fala de “amor”. Para Jesus, essa linguagem lhe parece muito abstrata. Praticamente Ele nunca usou. Aqui se fala de coisas com concretas como “dar de comer”, “vestir”, “hospedar”, “visitar”, “acudir”. No entardecer da vida não seremos examinados sobre o “amor”; seremos examinados sobre o que fizemos em concreto diante das pessoas que precisavam de nossa ajuda.

Este é o grito de Jesus a toda humanidade: ocupai-vos com os que sofrem, cuidai dos pequenos. Em parte nenhuma se construirá a vida assim como Deus a quer, a não ser libertando as pessoas do sofrimento. Nenhuma religião será abençoada por Ele, se ele não gerar compaixão para com os últimos.

 

Façamos nossa oração:

Pai, à chegada de teu Filho que vem, queremos nos encontrar preparados, por meio do amor gratuito ao nosso semelhante. Amém.

 

“A responsabilidade pelo conteúdo é única e exclusiva do autor que assina a presente matéria”.

Padre Ari Antonio da Silva

Colunista l pe.arisilva@hotmail.com

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