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Tela Tomazeli l Editora

Aida, de família para família, há 100 anos

Mauro Francisco Gasperin e as filhas Janaina e Mariana.

 

Receita clássica da Aida Alimentos, de Bento Gonçalves, mescla tradição italiana, respeito ao consumidor e amor na produção de uma charcutaria quase artesanal

 

Na mesa dos gaúchos desde 1922, os produtos Aida passaram pelas mãos de quatro gerações, sempre na Família Gasperin. Do fundador, Ernesto Bortolo Gasperin, e sua esposa Rita Dalla Chiesa Gasperin, a marca completa um século espalhando sabores e aromas que alimentam uma história rica em empreendedorismo. O prédio, também centenário, é o mesmo desde sempre, assim como o amor e a vocação na fabricação de derivados de suínos e bovinos. Do salame ao bacon em cubos cortado manualmente, além de um amplo portfólio de curados, cozidos, defumados e frescais, a empresa chega ao seu centenário produzindo 240 toneladas/ano, em pleno crescimento e com planos de dobrar a produção até 2024.

 

Hoje, a Aida é comandada pela quarta geração da família. As irmãs Janaína e Mariana estão à frente do negócio. Elas contam, ainda, com a experiência sempre presente do pai e mestre da charcutaria, Mauro Francisco Gasperin, que cumpre jornada diária no frigorífico, acumulando uma vida de experiências em todas as áreas da empresa, do matadouro, passando pela produção, vendas e entrega, até chegar à administração e direção. Ele relembra que no início as entregas eram feitas a cavalo, depois com carroça e, para os municípios da fronteira do Estado, o trem era a melhor opção. Gasperin assinou a Carteira de Trabalho ainda aos 13 anos de idade, mas nunca deixou os estudos de lado. Cursou Contabilidade, Economia e Direito, formações que lhe deram segurança para administrar o negócio. Foi ele que começou a trabalhar Custos em 1970. Até então, a empresa seguia no embalo e aprendizado das gerações anteriores. Entre as mudanças, destaque para o fim do abate na empresa em 1977, permitindo maior ênfase na produção da linha de embutidos.

 

Produção.

 

Ele recorda do cheiro do torresmo saído do tacho, que atraía toda vizinhança. Muito apegado ao avô Ernesto, Mauro nasceu e morou vizinho à empresa. Cresceu testemunhando a rotina do frigorífico, acompanhando a sua evolução. Na época, o produto principal e mais importante era a produção de banha, usada como conservante de alimentos, aliás a defumação e o sal também cumpriam esta finalidade desde os primórdios da civilização. Estes itens eram considerados a geladeira de antigamente. O processo era bem artesanal. Ele conta que durante nove meses do ano o trabalho se destinava, exclusivamente, a produzir e estocar banha. A geladeira só chegaria ao Brasil na década de 1950.

 

Sala de cura.

 

Todo abate de suínos e bovinos era feito a 500 metros do frigorífico e o transporte até a indústria era feito por carroça puxada por mulas que, acostumadas, faziam o percurso sozinhas. “Vivemos períodos muito difíceis. Sobrevivemos porque mudamos”, destaca Mauro. Segundo ele, o maior desafio foi quando o óleo de soja entrou no mercado e tomou o lugar da banha. “Precisamos modernizar e diversificar a produção. O salame e a copa sempre lideraram as vendas, mas era preciso inovar. Foi quando meu pai Mário, nos anos 70, foi em busca de conhecimento na produção de derivados de suínos cozidos como presunto, mortadela, salsichas, entre outros, o que aumentou nosso poder de investimento, permitindo importar máquinas da Alemanha, Itália, Suíça e Argentina”, destaca. Até então, o salame e a copa eram amarrados manualmente, processo que gerava até competições entre funcionários. Hoje, cada etapa é programada e monitorada pelo setor da qualidade, cumprindo rigorosas exigências legais que resulta em segurança alimentar, padrão de qualidade e respeito ao consumidor.

A saúde de clientes e funcionários sempre foi prioridade. Por isso, higiene e qualidade sempre foram premissas da marca. A Aida foi a primeira indústria deste ramo a adotar o uso da máscara como componente do uniforme, tornando-se referência para outras marcas nacionais, que desde os anos 70  visitavam a empresa para assimilar as práticas adotadas, além de ver de perto o processo de higienização com o uso de detergentes bactericidas, além da adoção de sinal sonoro de hora em hora, que determinava aos funcionários que cumprissem um rígido protocolo de higiene. A empresa também foi pioneira em empregar mulheres, vistas como mais criteriosas e cuidadosas. Hoje, elas respondem pela maioria na empresa.

 

Cura.

 

O sabor dos 100 anos

Para comemorar o centenário, a Aida coloca no mercado a Linguiça com Erva Doce, resgatando o gosto da infância, a Linguiça com Passa de Uva, combinando com a cultura do vinho tão representativa na região e o salame com borda de pimentas. A data também é celebrada com a Mortadela Bologna Bacon, Lombo Canadense e o Pepperoni. A programação festiva começou reunindo a Família Gasperin num evento em julho. Também serão realizados encontros com representantes, clientes, parceiros e formadores de opinião.

 

 

Portfólio de qualidade e diversidade

Dona de uma linha de produtos premium, atualmente a Aida assina 20 itens em 38 diferentes embalagens, todos com baixo teor de gordura e sal. O compromisso com a qualidade é permanente, desde a seleção dos fornecedores, passando pelo rigoroso controle na produção, até as análises mensais microbiológicas feitas em laboratório próprio, equipado para esta finalidade e operado por profissionais altamente qualificados. São derivados de suínos e bovinos que incluem curados, cozidos, defumados e frescais. Os mais vendidos continuam sendo o salame e a copa, mas, o destaque também é compartilhado com o culatello, bacon e presunto italiano.

 

Produtos

  1. Apresuntado Fatiado, Apresuntado Inteiro
  2. Bacon Defumado, Bacon Defumado Manta, Bacon em Cubos
  3. Codeguin
  4. Copa, Copa Fatiada 100gr, Copa Fatiada Granel
  5. Costela Defumada
  6. Culatello, Culatello Fatiado 100gr, Culattelo Fatiado Granel
  7. Kit Feijoada
  8. Linguiça com Erva Doce Fatiada 100gr
  9. Linguiça com Passas de Uva Fatiada 100gr
  10. Linguiça para Choripan
  11. Linguiça Suína Recheada com Passas de Uva e Queijo Parmesão
  12. Lombo Tipo Canadense Defumado Fatiado 100gr, Lombo Tipo Canadense Defumado Fatiado Granel, Lombo Tipo Canadense Defumado Inteiro
  13. Mortadela Bologna Fatiada 100gr
  14. Pepperoni Defumado Fatiado 100gr, Pepperoni Defumado Fatiado Granel, Pepperoni Defumado Inteiro
  15. Presunto Cru com Osso
  16. Presunto Cru Tipo Italiano Fatiado 100gr, Presunto Cru Tipo Italiano Fatiado Granel
  17. Salame, Salame Fatiado 100gr, Salame Fatiado Granel, Salame Inteiro
  18. Salame Light, Salame Light Fatiado 100gr, Salame Light Fatiado Granel, Salame Light Inteiro
  19. Salaminho
  20. Salsicha Frankfurt Defumada

 

Um pouco da história

No início, tudo era muito difícil. Não haviam estradas, os meios de transporte eram precários e o processo de fabricação era bem artesanal. Mas a cidade, que ainda se chamava Vila Isabel, crescia e era necessário abastecer a população, assim como manter a tradição familiar trazida da Itália. Afinal, a Aida surgiu em 1922, apenas 47 anos após o início da imigração italiana na Serra Gaúcha. Encontrar o melhor fornecedor não era uma tarefa fácil. O primeiro moedor de carne manual foi adquirido em 1924. Um motor à gasolina logo foi inserido, numa adaptação que ajudou a acelerar o processo.

 

Ainda na década de 1920, a família comemora a conquista das duas primeiras Medalhas de Ouro conquistadas pela qualidade aos emblemáticos Salame Italiano e a Copa AIDA. O reconhecimento veio da Grande Exposição Feira Comercial, Industrial e Agropecuária, realizada em 1928 em Porto Alegre. Os prêmios ajudaram a expandir os negócios que avançaram para municípios vizinhos.

 

O negócio ia de vento em popa e era preciso garantir o futuro, apostando na continuidade do trabalho com a sucessão familiar. Foi aí que em 1937, o filho mais velho de Ernesto, Mário Antônio Gasperin, com apenas 14 anos de idade, começou a participar de todo o processo, da fabricação à gestão, sendo a segunda geração a comandar a empresa familiar. Oito anos mais tarde, em 1945, novos passos são dados na conquista de novos mercados. A linha de curados ganha fama e a banha continua sendo essencial na vida das famílias. Com o aumento da demanda é necessário investir na ampliação da estrutura física para dar suporte à produção.

 

Em 1950, a Aida deixa de ser uma pequena fábrica para se tornar uma indústria em franco desenvolvimento, com distribuição em todo o Rio Grande do Sul. Neste período, o abate de suínos e bovinos é ampliado, ganhando um novo e moderno matadouro. Com o advento da geladeira, fabricada no Brasil no início dos anos 50 o consumo de banha diminuiu significativamente. Assim, a Aida precisou acompanhar as mudanças, adaptando-se a nova realidade, ampliando seu portfólio para se manter competitiva no mercado. Chega 1960 e a terceira geração da família, representada por Fernando, Luiz Bernardo, Luciano e Mauro Francisco Gasperin, começa a atuar na área administrativa.

 

Pioneira no RS na entrega de produtos fatiados em embalagens de 1 kg e 2 kg, a Aida entra em 1970 com um parque fabril que já inclui máquinas importadas, como uma fatiadeira industrial, de alta produção, inaugurando assim o porcionamento de produtos em embalagens com pesos para consumo individual. Mas a década da modernização foi a de 1980. O grande passo se deu em 1985 com a construção de um laboratório próprio que revolucionou todo processo, garantindo suporte, qualidade e segurança aos produtos da marca. No ano seguinte, novos investimentos com a importação de máquinas italianas, além de convênios com instituições de ensino, como a Universidade de Santa Maria, para a formação e capacitação do capital humano.

 

A quarta geração da família, com Janaína e Mariana Gasperin, filhas de Mauro Francisco, entra em ação em 1990 e segue até hoje. De lá para cá, as irmãs participaram de um amplo trabalho de suavização da linha de produtos, que passaram a atender um paladar mais elaborado, com embalagens menores e mais sofisticadas, práticas e higiênicas. Cada vez mais comprometida com a entrega de produtos saudáveis, a Aida aproveita o ano 2000 e a virada de Século para lançar uma linha exclusiva de produtos light, com baixo teor de sal e gordura.

 

Adaptadas à cultura da empresa, Janaína e Mariana lideram um projeto de revitalização da marca com a criação de embalagens que se comunicam melhor com o consumidor, através de uma identidade visual mais clean. Mas as mudanças não se aplicam somente na estética, mas também nos produtos em si, especialmente com a atualização do portfólio com o lançamento de novidades.

 

Fotos: Jeferson Soldi

Conteúdo: Conceito

Gramado Magazine

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