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As dimensões de um retrato

A celebridade de Gramado é devida a dois motivos principais: a qualidade e a aparência: acostumou-se a viver bem oferecendo o que é bom e bonito. Esse proceder nasceu junto com a opção de se sustentar a custa do turismo. Então, o cotidiano do município assumiu a beleza como um de seus traços mais importantes. Só que manter sempre uma beleza que atrai custa muito caro.

Quando, por exemplo, damos uma caminhada pela Borges temos amplos motivos para concordar com os viajantes que dizem – usando, às vezes, até comparações internacionais – que a avenida em questão é uma das vias públicas mais bonitas por onde já andaram. Mas isso nos custa, em média, um milhão de reais por dia.

Trinta e cinco mil habitantes gastarem esse monte de dinheiro para  sustentar sua cidade tem jeito de arrogância milionária. Porém, é a consciência cultural que um povo recebeu de Deus e que não sabemos porque a merecemos. Sabemos, porém, que não podemos ser infiéis a tão generosa distinção. Seria pecado, não zelarmos pelo dom que nos transformou num lugar diferente. Aqui tudo é caro porque tudo é belo e bem feito.

A solidez desse distinto retrato, que já atravessa muitos anos, naturalmente é coordenada pelos nossos dirigentes públicos. E eles têm sido eficientes porque estão firmemente associados a um povo exigente, enérgico em críticas, franco em elogios e solidários em ações de interesse comum. É por isso que alguns dizem que as belezas de Gramado têm seu nascedouro no coração de cada gramadense.

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