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Faze tu o mesmo!

Faze tu o mesmo!

(Lc 10,25-37)

15 Domingo do Tempo Comum

Existe uma ligação evidente entre a questão dirigida pelo mestre da Lei e a ordem conclusiva do relato. O mestre da Lei queria conhecer os caminhos para se obter a vida eterna, e Jesus ordena-lhe que imite o gesto misericordioso do samaritano.

A preocupação com a vida eterna corresponde a reconhecer os caminhos que conduzem ao Pai, fonte da verdadeira vida. O mestre da Lei estava no caminho ao confessar que a vida que conduz ao Pai é o caminho do amor. Consciência fenomenal muito difundida na época.

Faltava-lhe apenas refazer sua concepção de próximo. A parábola contada por Jesus não deixa margem para dúvidas: próximo é qualquer pessoa que, encontrada pelos caminhos da vida, carece do nosso amor misericordioso. Diante deste apelo, caem todas as barreiras sociais, culturais, religiosas, étnicas. O próximo carente é a mediação da comunhão com o Pai. Quem tem sensibilidade e é capaz de desfazer-se de seus planos para se mostrar solidário, estará no caminho da vida eterna. Quem, pelo contrário, desvia-se do próximo carente de solidariedade, desvia-se do caminho que conduz ao Pai.

Assim, a vida eterna define-se pela disposição de se tornar servidor do próximo, em quem o Pai é servido. Quem é misericordioso, está no bom caminho.

 

Os feridos da valeta

A parábola do bom samaritano quer nos ensinar a andar pela vida com “compaixão”, embora Jesus pensava naquele momento, sobretudo nos dirigentes religiosos da época. É difícil imaginar um apelo mais provocante de Jesus e seus seguidores, e de maneira direta aos dirigentes religiosos.

Não basta que na Igreja haja instituições, organismos e pessoas que estejam junto aos que sofrem. É toda Igreja que deve aparecer publicamente como instituição mais sensível e comprometida com os que sofrem física e moralmente. Se a Igreja não se lhe comovem as entranhas diante dos feridos que jazem nas sarjetas, tudo o que ela fizer e disser será bastante irrelevante. Só a compaixão pode tornar hoje a Igreja de Jesus mais humana e mais digna de crédito.

 

Uma Igreja samaritana 

Há muitas maneiras de empobrecer e desfigurar a misericórdia. Às vezes ela fica reduzida a um sentimento de compaixão próprio de pessoas sensíveis. Para alguns consiste nessa “ajuda paternal” que se oferece aos necessitados para tranquilizar a própria consciência. Há os que recordam com as “obras de misericórdia” do catecismo como algo que é preciso praticar para ser virtuoso. A partir da fé cristã devemos dizer que a misericórdia é a única reação verdadeiramente humana diante do sofrimento alheio que, uma vez interiorizada, se transforma em princípio de atuação e de ajuda solidária a quem sofre.

O relato do “bom samaritano” não é uma parábola a mais, e sim aquela que melhor expressa, de acordo com Jesus, o que é ser verdadeiramente humano. O samaritano é uma pessoa que vê em seu caminho alguém ferido, aproxima-se, reage com misericórdia e o ajuda no que pode. Esta é a única maneira de ser humano: reagir com misericórdia. Pelo contrário, “dar uma volta “diante do que sofre – postura do sacerdote e do levita, é viver desumanizado.

A misericórdia é o princípio fundamental da atuação de Deus e o que configura toda a vida, a missão e o destino de Jesus. Diante do sofrimento, não nada mais importante do que a misericórdia. Ela é a primeira coisa e a última. O princípio ao qual se deve subordinar todo o resto. Também na Igreja. Uma Igreja verdadeira é, antes de tudo, uma Igreja que se parece com Jesus. E uma Igreja que se parece com Jesus deverá necessariamente ser uma “Igreja samaritana”, que reage com misericórdia diante do sofrimento das pessoas. Esta é a primeira coisa que se pede também hoje à Igreja: que seja boa, que tenha entranhas de misericórdia, que não discrimine ninguém, que não dê voltas diante dos que sofrem, que ajude os que padecem feridas físicas, morais e/ou espirituais.

Se quiser parecer-se com Jesus, a Igreja deve reler a parábola do “bom samaritano”. É importante a ortodoxia. Mas como fica tudo isso se os homens e mulheres de hoje não podem descobrir nela o rosto misericordioso de Deus nem sentir sua proximidade e ajuda no sofrimento?

 

Outra maneira de viver

O ensinamento da parábola do samaritano pode-se resumir assim: De acordo com Jesus, o importante na vida não é teorizar muito ou discutir longamente sobre o sentido da existência, mas andar como o samaritano: com os olhos abertos para ajudar qualquer pessoa que possa estar precisando de nós. Por isso, antes de discutir o que é aquilo em que cada um de nós crê ou que ideologia defendemos, precisamos perguntar-nos a que nos dedicamos, a quem amamos e o que fazemos concretamente por esses homens e mulheres que precisam de ajuda de alguém próximo. É esta a verdadeira conversão de que precisamos.

Quem compreendeu a fraternidade cristã sabe que todos nós somos companheiros de viagem que compartilhamos a mesma condição de seres frágeis, precisando uns dos outros. Quem vive atento ao irmão necessitado que encontra em seu caminho descobre um novo gosto para a vida. De acordo com Jesus, ele “herdará a vida eterna”.

Façamos nossa oração:

Espírito de sintonia com o próximo, não nos deixa sermos insensíveis ao nosso próximo carente de solidariedade, pois a misericórdia nos conduz à vida eterna. Amém.

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