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O pinhão como símbolo telúrico

A dinheirama descarregada pela modernidade sobre nossa cidade, não tem conseguido se sobrepor ao destaque e significado de alguns símbolos locais, indicadores de nossa identidade. Mas nenhum foi capaz de atingir a resistência do pinhão. Na verdade, ele tanto ilustra a fartura e o vigor de nossas matas, quanto surpreende a curiosidade juvenil dos turistas que procuram Gramado em busca de neve.

Então, os arranjos e formas de ornamentação de tudo quanto é moderno, oferecidos como atrativos de nossos tempos frios, acanham-se frente a soberania calma, imutável e definitiva do pinhão. No luxo dos hotéis, quando são oferecidos, aparecem como refinada guloseima afastada do lugar comum de tudo o mais que costuma fazer parte dos cardápios. É que ele se apresenta mais como gramadense cordial do que como inimigo da fome. E come-los torna-se ato de convívio com a singela hospitalidade gramadense.
Mas, antes de chegarem aos salões ou ao aconchego das famílias, os pinhões são surrupiados aos bichos do mato por caboclos esquentados na fumaça; eis que os pinheiros nunca são regularmente plantados para fornecer frutos. São expressão livre da vontade de nossos matos.

Quando pinhões são comercializados nas beiras de estradas não guardam o estigma de vulgar negócio pobre, senão sacramento do que sempre fomos e continuamos sendo nas beiradas mais genuínas de nossa história. E, enquanto vendedores abrigam sua simplicidade em improvisados pontos de venda, nós e os turistas conseguimos enxergar neles a dignidade de uma tradição que tanto nos identifica, orgulha e alegra.

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