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Sobre saudades…

Foto: Tela Tomazeli

Eu tenho saudades de você! Toda a semana enquanto edito a revista penso em você. Ai alguém pode pensar: mas que intimidade tinha esta guria com ela para ter saudades? Nenhuma! Nos falamos algumas vezes, em uma ela foi em minha defesa, em outras me chamava de ‘lourinha do Luciano’, pois a convidei para o lançamento do livro dele. Foi o bastante? Não! O bastante são suas emoções transcritas que me comovem profundamente, cabem em mim como meu short e minha camiseta de verão que não respeito o aumento de medidas, eles, como tuas palavras Lya, me transformam em um linda pessoa. Saudades!

‘Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre meu coração a asa mansa,
como se fosse meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)
é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo.’

Lya Luft

Foto: Nicolas Tomazeli

Esta é minha preferida, nem tenho conta de quantas vezes publiquei! Obrigada!

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ”Olha que estou tendo muita paciência com você!”

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher.

Lya Luft

Foto: Tela Tomazeli

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