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Tempo, por que passas tão rápido?

Meu nome é Estefani Caroline (Carol) sou aluna do segundo ano do Colégio Santos Dumont. Segue a crônica em forma de carta que escrevi, espero que gostem. Adorei Carol e vamos ver a opinião dos nossos Leitores! Um abraço e nos considere um canal para publicar suas crônicas! Um beijo, Tela

Caro senhor Tempo,

Me chamo Carol, tenho 17 anos, estou no segundo ano do ensino médio e sou uma debutante neste negócio também chamado de vida.

Mas nem preciso falar, certo? Pois você, um ser sábio, experiente e onisciente já me
conhece não é mesmo?

Venho por meio desta carta para fazer-te uma reclamação, antes de tudo devo justificar-me e por isso que irei contar-te como foi o meu dia.

Como sempre, acordei as cinco horas da manhã, depois de ter dormido cerca de seis horas. Procrastinei uns vinte minutos na cama e finalmente consegui levantar, tomei meu banho, me arrumei e quando vi já eram seis e meia e estava atrasada, tomei um café rápido e fui em direção à rua, o tempo estava fechado, chuviscando e emergido de neblina, característica de praxe da Serra Gaúcha. Meus cabelos ainda molhados, particularidade perfeita para pegar um
resfriado. Não deu nem um instante para colocar meus fones de ouvido ao correr para a parada e chegou meu ônibus. Por um breve momento eu o teria perdido.

Como tu pudestes perceber, um começo de manhã um tanto normal, e ao mesmo tempo exaustivamente rápido, mesmo acordando cedo não foi possível ser rápida e sair calmamente, assim como todos os dias, mas esse é apenas o início.

Embarquei no ônibus e encarei diversificados rostos conhecidos e alguns desconhecidos, sentei no meu lugar de sempre, hermeticamente sozinha com meus fones de ouvido. Meu primeiro pensamento foi: “Será que devo ouvir um podcast e ser produtiva ou ouvir uma música e ficar calma? Se bem que não dará tempo de terminar um podcast e nem refletir muito”. Adivinhe o que aconteceu. Sim, no instante em que terminei de refletir sobre isso acabou a primeira música e cheguei na escola.

Começou a perceber minha dificuldade? Mas aguarde, porque tem mais.

Desci do ônibus e fui em direção ao grande prédio azul que prega conhecimento, também chamado de escola, subi três exaustivos andares de escada e andei até o fim do corredor onde localiza-se minha sala de aula, diferentemente da maioria das pessoas, a escola é o meu
lugar preferido, onde encontro minhas pessoas favoritas, uma grande diversidade de personalidades, por incrível que pareça, é o único lugar que consigo me sentir a vontade. Estudar e aprender, para mim, é uma forma de arte, de amor, de produtividade, de estilo de vida, não sei o que seria da minha vida sem isso.

Seguindo para a sala de aula entrei e me deparei com o período de biologia, apesar de ser uma matéria que não tenho uma paixão abundante me sentei, e tentei tirar o total proveito de todo o conteúdo, assim como nos outros períodos e matérias também, infelizmente chegou meio dia e me senti como se cada hora que tivesse passado teria faltado mais tempo para que houvesse um proveito maior e eu conseguisse deixar tudo em dia, nenhum instante de processamento, até as máquinas têm um instante para processar, e nós não. Você está ponderando o que estou articulando? Não somos máquinas rápidas de captação de grande eficiência e conhecimento.

Saí pelos corredores e depois da escola em si e caminhei em direção ao trabalho, sim, o dia não acabou e há muito o que fazer ainda. Caminhando pelas ruas da cidade percebo o movimento constante, tantas pessoas, tantas vidas, algumas apressadas como eu, e outras apenas desfrutando das lindas ruas da cidade, provavelmente em um passeio turístico, é difícil não se afetar com tanta felicidade e calma das outras pessoas.

Acredito que meio dia seja o momento que mais posso pensar e planejar meu dia.

Subindo escadas novamente, todavia agora são do edifício do qual trabalho, entro na sala e ouço o silêncio e o sossego, logo penso: “momento ideal para ler”, guardo minhas coisas, tomo uma água, sento, e retiro meu livro da mochila. Brevemente consigo fugir da realidade da qual estou inserida e finalmente posso ter uma fuga através da literatura, o livro que estou lendo é um livro de filosofia, um dos assuntos do qual mais me interesso e sou apaixonada, infelizmente consigo ler apenas um capítulo e lembro que tenho que almoçar, já é uma hora e começo a trabalhar em alguns minutos, o almoço de hoje é apenas um lanche, cortesia de quem trabalha e estuda, não poder comer almoço quentinho. Mal da tempo de comer e bate meu horário de trabalho.

Espero que tenha começado a entender senhor Tempo, você está passando muito rápido por mim e não me deixa fazer de você alguém proveitoso.

Não posso dizer que esse é um momento muito extasiante do dia, infelizmente tenho que ficar sentada por quatro horas, o momento que mais sofro do mau de sono, fico parada e tento manter a concentração e um foco total, mas não é fácil, sabendo que tenho várias coisas da semana e da manhã para colocar em dia, por quatro horas tento mergulhar nesse mundo totalmente diferente que é o do meu trabalho, muitas vezes, por mais que eu esteja em total dispersão, sempre acaba passando algum detalhe por mim e acabo tendo que passar por situações de uma abundante inquietação.

O momento que mais demora para passar são os últimos trinta minutos, mas também são os últimos minutos de maior ansiedade e uma breve felicidade, principalmente nas sextas. Quando eles finalmente passam, confiro, fecho e tranco tudo e me encaminho para as ruas da cidade novamente, com certeza é o momento mais agitado do dia, muitas pessoas com a mesma pressa que eu para ir para casa e muitas pessoas finalizando seus passeios turísticos com a mesma calmaria de antes.

Após uma extensa caminhada e passar no mercado para comprar algumas coisas para casa, finalmente chego em casa, sensação de alívio e de pressa até aquele momento. No caminho visualizei em minha mente alguns dos variados tópicos dos quais porventura ainda teria para realizar até o fim do dia. Fazer meus temas e revisar todos os conteúdos, responder todos que me mandaram mensagem, não esquecer de comer, arrumar minha mochila para o próximo dia, arrumar a casa, preparar meu almoço do dia seguinte e dar seguimento na minha leitura.

Com todo respeito senhor Tempo, você deve estar pensando que é fácil fazer tudo isso em quatro horas, mas aí que tu estás totalmente equivocado, já parou para pensar que estou totalmente cansada do dia e não tenho mais a mesma força do começo do dia para realizar tudo?

Estou enviando-lhe esta carta com o intuito de fazer-te pensar, pensar se está realmente deixando-se passar da mesma forma, em múltiplas ocorrências parei para ponderar se o problema sou eu e não tenho uma administração correta do senhor, mas quem consegue ter?

Pessoas que tem o dia inteiro livre talvez? Mas e nós? Pessoas com variadas tarefas e obrigações simples e diárias, mas que cada uma exige concentração e empenho, não é possível que eu faça tudo direitinho e sobre algum instante, mas do que adianta fazer tudo e fazer tudo mal feito, fazer tudo e na verdade estar fazendo nada.

Infelizmente com os instantes que você está me fornecendo não estou conseguindo efetivar todas as atribuições que eu deveria estar efetivando, coisas simples e ao mesmo tempo que em conjunto se fazem grandes demandas de tempo.

Eu ainda gostaria de participar de mais atividades diárias, disponibilizar meu tempo para ajudar as pessoas de alguma forma, praticar alguns hobbies que algum dia eu pude. Mas como vou fazer a diferença se não tenho mais do senhor comigo?

Espero que pense com carinho, e não esqueça de mim.
Atenciosamente,

Carol.

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