Figurinos, criadas pela pesquisadora Véra Stedile Zattera, surpreenderam pela riqueza de detalhes e beleza

 

Os trajes

Os figurinos das Soberanas da Festa Nacional da Uva 2019 primam pela elegância e cuidado histórico, com referências à etnia que desbravou Caxias do Sul, dentro do período histórico que compreende o século XIX até os primeiros anos do XX. “Nessa época, as mulheres usavam busto seguro por corpetes e saias amplas, muitas vezes com sobressaia e avental. Usamos essas menções históricas para elaborar as vestimentas das Soberanas, com elementos mais nobres e acrescidos de referências festivas”, salienta a pesquisadora. Os trajes possuem variações, sendo um social, de gala; e um diário, de passeio.

 

Social

Crédito: Leandro de Araújo/Foto Itália

 

O traje social da Rainha prima pela história com modelagem tradicional e traz a contemporaneidade na delicadeza e imponência de rendas mescladas com tecidos nobres como zimbeline, brocado e veludo. As cores escolhidas foram nude, vermelho, dourado e preto. O traje tem corpete que possui amarrações feitas nas roupas de época e que permitem entrever o branco da camisa íntima, além de um avental.

As Princesas usam trajes idênticos, elaborados em brocado acetinado, veludo e rendas. O vestir social tem brocado italiano na cor lilás, rendas brancas e detalhes de veludo na cor azul marinho. O corpete foi confeccionado com rendas brancas, assim como o avental e a delicada blusa.

 

Passeio

Crédito: Leandro de Araújo/Foto Itália

 

Para os compromissos diários, o figurino da Rainha conta com tecidos mais leves, como tafetá de seda, mantendo as mesmas tonalidades do vestido de gala: nude, vermelho, dourado e preto. Os bordados sobre o brocado italiano ou sobre cetim, de ambas as saias, é uma homenagem a uva. O corpete possui amarrações e o avental enriquece o conjunto, mostrando imponência em uma peça de labor.

Para as Princesas, o traje, em zibeline na cor verde – tonalidade das folhas das parreiras; tem complementos com rendas brancas e detalhes dourados. O corpete possui rendas douradas sobre o mesmo verde, além do avental e da blusa de rendas brancas.

Segundo Véra, o uso dos aventais é fundamental em todos os figurinos, pois se refere a um dos símbolos mais significativos da mulher na colonização local, tanto no uso diário como domingueiro. Para complementar os looks, as Soberanas usarão sapatos pretos de salto e brincos delicados de pérolas.

 

A Festa Nacional da Uva 2019 acontece de 22 de fevereiro a 10 de março.

Uma homenagem às mulheres batalhadoras que migraram para Caxias do Sul e trouxeram na bagagem a esperança de uma vida melhor. Esse foi o principal preceito que norteou a confecção dos figurinos das Soberanas da Festa Nacional da Uva 2019, Maiara Perottoni, Milena Remus Caregnato e Viviane Piamolini Gaelzer. Os trajes que serão usados pela Rainha e Princesas durante a divulgação da Festa Nacional da Uva 2019 foram apresentados na noite desta quarta-feira, 1° de agosto, em evento especial realizado no Restaurante Don Claudino.

Na ocasião, a presidente da Comissão Comunitária da Festa, Sandra Mioranza Randon, ressaltou a importância dos trajes. “Os figurinos não representam apenas a realeza, mas toda uma história, uma comunidade e uma festa”. A Rainha Maiara Perottoni destacou a importância da mulher para a imigração italiana. “Por meio dos nossos trajes, conhecemos um pouco da nossa cultura e valorizamos ainda mais a mulher que sustentou a imigração”.

Os vestidos, idealizados pela figurinista, pesquisadora e especialista em Vestuário Tradicional da Universidade de Caxias do Sul, Véra Stedile Zattera, com costuras do Atelier Rosa Ponto, foram inspirados nos imigrantes oriundos da região Trentino Alto Ádige, na Itália, em especial nas localidades de Val Gardena e Bolzano.

“Buscamos na raiz da imigração a consistência do traje tradicional italiano. Os modelos homenageiam as mulheres provindas do Trentino e as muitas outras imigrantes trentinas que se instalaram em Caxias, principalmente no chamado Vale Trentino, que abrange a região limite de Caxias e Forqueta”, explica Véra Zattera.