O programa de Falcoaria do Gramadozoo conta com mais uma ave em treinamento, um gavião-caboclo. O animal foi encaminhado ao zoo pelo Ibama. Chegou com uma lesão irreversível na asa. Os técnicos do parque acreditam que o gavião tenha sido vítima de atropelamento. “Em função da fratura na asa, ele não pode mais voar. Utilizamos a falcoaria para o condicionamento e o bem-estar da ave”, explica o veterinário Renan Alves Stadler, responsável técnico do Gramadozoo.

Além do bem-estar animal, o programa de Falcoaria trabalha a educação ambiental. Os visitantes podem acompanhar as apresentações com as aves todos os sábados, às 14h30. O veterinário lamenta que exista negativo um estigma sobre as aves de rapina. “Algumas pessoas associam os animais com coisas ruins. Queremos tirar essa imagem negativa. São aves que não oferecem nenhum risco ao ser humano. Se as pessoas conhecerem, podem contribuir com a preservação”, afirma.

O treinamento do gavião-caboclo consiste em condicionar o animal ao manejo. Como ele não consegue mais voar, a equipe faz exercícios para estimular a musculatura. Após o treinamento, o gavião vai participar das apresentações de falcoaria. “Com a falcoaria, evitamos que a outra asa atrofie. Quanto mais acostumadas com o manejo, maior o bem-estar da ave. Em breve, ele irá participar das apresentações de falcoaria e ter contato com o público”, diz.

Stadler espera que o triste caso do gavião-caboclo sirva de exemplo para reduzir os maus tratos aos animais e o número de atropelamentos, que matam um milhão de animais diariamente nas rodovias brasileiras. “Até mesmo as aves são vítimas das estradas. Esse gavião está tendo uma segunda chance. Que o caso dele contribua para conscientizar a população”, afirma.

Além do gavião-caboclo atropelado, o programa de Falcoaria do Gramadozoo conta com gavião-carrapeteiro, gavião-carijó, carcará, falcão-quiri-quiri, coruja-suindara e coruja-jacurutu. “Nas apresentações de falcoaria, explicamos sobre a história de cada animal. São aves que sofreram com a interferência humana. Muitas perderam amplitude e não conseguem mais voar. Outros conseguem voar, mas não conseguiriam sobreviver na natureza”, diz.