“Desde que o seu príncipe (Conde Dracula) se ausentara para a guerra, que o sono da princesa Elisabeth fora atormentado por pesadelos de terror e sangue”... atirou-se ao rio. Uma morte que causou tormento, revolta e sede de vingança. O homem que outrora amara, tornou-se vampiro senhor das trevas. “Não procuro a jovialidade nem o regozijo, nem a volúpia de muito sol e águas borbulhantes que tanto agradam os jovens e felizes.” {Dracula} No desenrolar da montagem acontece essencialmente uma desmultiplicação da personagem Dracula, que vai assumindo diferentes formas, caras, animais e corpos também eles presentes no mundo atual, o de hoje. A essência deste ser malévolo e de muitas outras personagens é transposta para a contemporaneidade, explorando-se os vários contextos e as várias formas de como um lado sombrio de nós mesmos, ou um lado sensualmente perverso ou até um amor puro tornado tragédia, são passíveis de acontecer entre nós.
 
Somos seres voláteis, alimentados a sangue corrente... Somos de trato fácil, mas complexamente difíceis de entender... Mulheres e homens são unha e carne que se enrola em jogos de dominação versus submissão permissiva. “A cor formosa tornou-se lívida, os olhos pareciam lançar faíscas do fogo do inferno, a fronte enrugou-se como se as dobras de carne fossem os cachos de cobras de Medusa e a boca adorável, manchada de sangue, tornou-se um quadrado escancarado, como nas máscaras de cólera dos gregos e dos japoneses {Dr. Seward sobre Lucy morta-viva}.
 
A nossa matéria é carne, brutalmente ensanguentada e nutrida com a essência de cada um. Essencialmente não somos puros, naturalmente, não somos bons todos os dias. É a nossa natureza, é a nossa maior fraqueza. Podres de medo, sucumbimos a tentações fáceis, fáceis demais.