O Natal Luz é fruto da mais santificada lenda que a imaginação humana soube construir como sustento da fraternidade e da alegria de viver, e o símbolo dessa lenda é o Papai Noel. Mas essa estória só teria valor se atrelada a um fato incontestável e detentor dos mesmos predicados espirituais. E esse símbolo real é a verdade representada por Jesus Cristo recém-nascido.

As diferenças entre os dois é muito grande, se olharmos para a concepção física que o mundo lhes atribuiu. Um, chegou no lombo de um burrinho, nasceu em uma estrebaria e conquistou o mundo, apenas insistindo até a morte que devemos ser irmãos uns dos outros e que o perdão é o mais doce remédio para a alma. O outro, veio coberto de alegres fantasias, montado em um trenó puxado por uma dupla de inquietos servos// e carreteando sobre as nuvens. Tão brincalhão e risonho que, segundo relato de um dos reis magos, presenciou o nascimento de Jesus, muito bem acomodado sobre a estrela de Davi.

Pois, foi analisando esses rasgos universais é que os cronistas gramadenses conseguiram interpretar o misterioso sucesso alcançado pelo Natal Luz.  É que a principal festa não pagã, que anima o Brasil em fins e começos de todos os anos, está plantada entre um trenó e uma manjedoura. E como essa parceria se mexe entre as nuvens e a moradia de um burrinho, não há sensibilidade que resista, nem emoção que possa ser contida.

E o Brasil inteiro se surpreende ao constatar o milagre natalino que Gramado conseguiu construir, apenas usando a santa ingenuidade de buscar inspiração na singela associação entre um trenó e uma manjedoura. Em compensação, isso resulta em estímulo à sua simplicidade, que oferece as flores dos melhores caminhos para se fazer digna das generosas avaliações que se acostumou a receber.    

E o Natal Luz, estando montado entre esses dois invisíveis pilares, alcançou os mais abandonados recantos da alma de pessoas de todos os tipos e de todos os lugares. E o povo gramadense agradece ao Destino que lhe trouxe a glória de ser o lugar onde o trenó e a manjedoura convivem tão belos tempos de esperança.

 

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