Gramado é um lugar interessante: natal, cinema, chocolate, móveis, por exemplo, existem em qualquer parte, mas foi entre nós que viraram celebridades.  Muitos se acostumaram com o fulgor que há em sua volta e, de tanto ver, o grande já lhes parece pequeno. E atualmente estamos bastante preocupados com nossa capacidade de carregar o peso da prosperidade que alcançamos.

Essa séria inquietação existe porque fomos infiltrados pelos que chamamos de filhos da ilusão, que criaram circunstâncias novas e difíceis de manter sob controle. São daqui mesmo ou chegaram em dia de grande festa, encantaram-se com as multidões e resolveram arriscar a sorte em empreendimentos corriqueiros. Agindo em patamar mais ousado outros, vendo que havia espaço imobiliário, mudaram-se de lugares que já haviam delapidado e igualmente vieram. O resultado final é que estamos vivendo hoje o que ontem era inimaginável: Gramado pode estar à beira de um colapso, como já aconteceu com muitos destinos turísticos que conhecemos, e com nós mesmos na década de 1940.

Estamos, literalmente, vulgarizados pela quantidade, e a qualidade não tem como crescer na mesma proporção. Parece até que estamos sendo sufocados, pelo medo que tivemos de ser nós mesmos e senhores do nosso destino.

Porém, não é tempo de histerias patrióticas. Igual a momentos cruciais anteriores, crepita pela antessala das forças vivas do município a já consolidada consciência de que crescer sem sustentação não é desenvolvimento, é suicídio.

E alguns sinais de reação já estão mostrando nosso amadurecimento frente a essa muito concreta e incerta realidade. Avaliações e medidas levantadas dentro do Plano Municipal de Desenvolvimento Integrado encaminham-se para limitar drasticamente o tamanho das próximas edificações urbanas e isso está estimulando a criatividade de nossos empresários na direção de empreendimentos menores, através dos quais melhor poderá se expressar a humanização de nossa cidade e a recuperação dos fatores naturais que tanto nos valorizam, contra as fortalezas de cimento que, atualmente, maculam nossa aparência e deprimem nossas expectativas futuras.

 

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