Um dos motivos que demonstram a diferença que Gramado é em relação a outras cidades, é a quantidade inigualável de flores que adornam seu território, como impressão digital que identifica o lugar. O acompanhamento da população e os elogios recebidos dos turistas, firmam cada vez mais a convicção de que os cuidados e os recursos públicos investidos nesse caso, são já um movimento que faz parte tanto do chão gramadense quanto dos corações de seus moradores. E a responsável fundamental pela institucionalização das flores como habitantes legítimas de nossa terra foi Irma Peccin.

Oriunda de berço abençoado por uma prodigalidade que a acompanhou por toda a vida, Irma foi mais do que uma mulher sempre rica, senão uma alma irremediavelmente contaminada por incomum amor à sua terra. Dificilmente haverá pessoa que mais se entusiasme ao falar nos méritos de Gramado, tanto os que brilharam no passado quanto os que fizeram o esplendor de sua ampla visão de futuro.

O que nunca a história gramadense vai esquecer é do método que ela escolheu para enfeitar a cidade. Quando Gramado ressurgiu, lá por 1960, caminhava sobre um cenário de belezas áridas e uma população que parecia viver em terra alheia. Então, enquanto empresários determinados desenhavam nossa nova conformação empresarial, Irma se preocupou com a necessidade fundamental da aparência, como base de um destino turístico que quisesse receber visitas.

E os múltiplos traços da aparência que derivaram dos jardins públicos – muitos dos quais, em suas viagens pela Europa, Irma fotografou e trouxe para modelos a serem implantados aqui – resultaram na difundida cultura gramadense de reagir a qualquer coisa afastada do capricho. E o método que ela usou foi convidar algumas amigas, negligenciar maiores cuidados com as unhas e enfiar as mãos na terra.

A insistência que Irma Peccin teve em solidificar sua preciosa intenção, não obedeceu à fragilidade dos discursos políticos ou de passageiros mandamentos sociais. Suas mãos na terra significaram convite de adesão a uma riqueza comunitária, e chegaram fundo como raízes que sempre hão de aguentar a nossa bem-sucedida identidade.

 

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