Houve alguns eventos que muito ajudaram Gramado a se tornar famosa, todos eles ancorados nas friagens características do inverno. As festas e os negócios eram amparados pela certeza de que o frio viria no ano que vem, tanto quanto tinha vindo no ano corrente e em centenas de outros passados. E os nomes eram bastante sugestivos: Baile do Suéter, Festival de Malhas e etc.

Não dá para negar que, desses tempos até agora, Gramado melhorou muito, embora sob protestos de alguns saudosistas que têm certa dificuldade em admitir que os ventos do tempo não dão sossego aos calendários. Contudo, o nosso sucesso não depende mais do frio, porque os calores do inverno gramadense são um dos maiores atrativos que temos para arrebanhar turistas nessa época. 

Decidimos não competir com a Noruega, por exemplo, porque descobrimos que bater queixo, não é atitude simpática aos nossos visitantes. Eles gostam mais de andar pela cidade envolvidos em um calorzinho tranquilizante, enquanto contemplam nossas flores e se encantam com a harmonia e o bom gosto de nossa aparência. E respiram, inebriados, o bem-estar ofertado por um inverno tão camarada.

 As pessoas que se pecham pelas calçadas – sem se irritar com isso – bem-dizem o aquecimento global que tirou Gramado do lugar comum de ter um inverno igual ao que todos os outros lugres têm. Arrastam suas indumentárias deselegantes sem nenhum constrangimento, por se sentirem livres como nós somos, e benquistos vestidos como quiserem.  Até nos elogiando por termos feito do desgrassante aquecimento global uma peça de conveniência urbana bela, rica e agradável. 

Porém, é costume gramadense honrar os antepassados. Por isso, quando algum desavisado, que veio a Gramado para passar frio, fica reclamando da falta de neve ou de geada, pedimos que sejam razoáveis. Que levantem os olhos para os riscos de nuvens que enfeitam o céu ou baixem o olhar para a inquietação dos canteiros que estão à sua volta.  Então, vão ver nítidos e infalíveis sinais prenunciando neve caindo ou geada brotando do chão. E eles sempre acreditam e se acalmam. 

Mas pelo que diz nosso padre – sem muito medo de, por isso, ir rolar no inferno por toda a eternidade – propagar glórias à Gramado nunca será considerado pecado. Mesmo usando méritos apoiados em verdades machucadas pelo amor que temos por nossa terra.

 

E-mail do colunista: riegelre@via-rs.net

O conteúdo da coluna assinada assim como as imagens é de responsabilidade do colunista.