As verdades expressas pelo tempo extinguem alguns parâmetros consagrados pela vaidade humana, sendo um deles a originalidade. Ninguém inventou a roda, a pólvora ou o computador, por exemplo; apenas em certo ponto da história esses utensílios foram descobertos. Nesse caso, a madeira, o enxofre, os princípios eletrônicos e as formas de cada coisa, sempre existiram, apenas estavam esperando seu tempo de aparecer. E depois de realizados foram mudando, ao compasso de outras descobertas paralelas. 

Então, a soberania do tempo e o plano traçado por Deus, deu valor a cada uma das formas novas, e a fatalidade das mudanças levou ao infinito a ambição adaptativa dos seres humanos, que nunca cansam de renovar as aparências dos princípios que definem a eternidade.

O quadro da vida ou o da convivência humana que temos hoje, nunca foi diferente, somente se expressou conforme exigências de seu tempo. Olhando a seqüência de retratos de cada um ao longo da vida, vemos que o tempo cobrou muitas mortes e muitos renascimentos. Fomos muitas coisas que não somos mais, parecemos muito pouco com aquilo que já parecemos antes. 

Curioso como o tempo brinca com nossas ambições, como manipula os nossos sonhos e projetos. Assim, o maior atrativo da eternidade é sua capacidade de mudar de cor, dando certeza de que nunca ficará descolorida. Desse modo, torna-se consolo para nossos erros e júbilos, dando certeza de que sempre estarão abertos os caminhos da esperança. Aliás, o desespero é o equívoco de acreditar que uma dificuldade termina em si mesma, e não que ela seja parte de uma proposta que nos é apresentada pela eternidade como via de aperfeiçoamento, de exercício de humildade perante as tão bem traçadas regras do tempo.

Mas, exceção a essa regra é o inferno, que é uma coisa que não tem seu tempo, mantendo sempre seus mesmos milhões de graus de temperatura, eternamente surdo aos desesperados clamores de almas sapecadas pelo pecado. Mas, essa fúria vingativa, essa infidelidade divina, nunca foi confirmada por Jesus Cristo. Ele prometeu prêmio aos justos e nunca tortura aos de carne mais fraca. 

De qualquer modo, ao fim de nosso próprio tempo, de braço dado com a eternidade, saberemos compreender as contradições que tanto provocaram e enriqueceram nossa imaginação.

 

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