Espalharam por aí, a falácia de que o mundo vive o grave fenômeno do aquecimento global. Botando o nariz fora de nossas janelas e observando jardins e campos castigados pelo frio, constatamos que em Gramado está havendo mesmo é um resfriamento global. E, considerando a importância universal que Gramado tem, concluímos que o que ameaça o mundo é, na verdade, o resfriamento global. E as friagens de dezembro, comprovam que essa avaliação não é simples desvario de cronista que tem seu computador ligado à terra e não às tomadas da Internet, senão clara evidência experimental da fisionomia atual do clima.

Mas, nossa nova figura climática não veio só, pois espantou as nuvens e calou as saracuras. Se o céu mandou o frio e o Posto da Faca negou a água, essas aves perderam a segurança para cantar que a chuva vem vindo, preferindo emitir silenciosas súplicas por água de torneira à desacreditada CORSAN

Por outro lado, o cenário do frio, ao costume dos gramadenses de sempre, levou ao aperfeiçoamento dos nossos já consagrados critérios de beleza. Nossos turistas chegam alegres e irônicos, inocentemente acreditando que neve não existe. Mas, quando começam a bater queixo, espelham-se nas belas roupas que usamos e compram montões de outras iguais. Com isso, ficam tão elegantes e cheios de si que quase não dá para distingui-los dos próprios habitantes locais. E os empresários disso ou daquilo, não têm dente que chegue para mostrar o quanto estão contentes.

A incontestável realidade de os termômetros gramadenses andarem ao contrário, confirma-se no espetacular fluxo de visitantes que atualmente acolhemos em qualquer dia da semana. Vêm aqui para confirmar se é verdade o que dizem e logo se enchem de emoção ao verem que construímos um campo de neve em pleno céu aberto do Quilômetro Sete. Na volta, esparramam a notícia e, o que não for boato, purifica espíritos e reforça nossa bem consagrada fama.

Apesar de tudo isso, as saracuras deixam as fantasias sob a responsabilidade dos singelos apegos telúrico dos moradores daqui e, considerando-se parte do universo, almejam que em breve poderão reativar seus corais, sem correr o risco de constranger-se por cantar em vão.

 

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