Quando o ano fecha suas portas para o inverno e as abre para a primavera, libera o céu para a primeira revoada anual dos pasassarinhos. A felicidade deles é bem percebida pela algazarra que acompanha seu alegre canto de gratidão. O coral, perfeitamente conjugado com o meio ambiente, perambula aleatoriamente pelos ares da cidade, dos campos e dos matos. E o silêncio da Terra convocado e sufragado pelo inverno, sente-se compensado por sentir que outro braço da Natureza compensou a nostalgia de seus tempos; então, confortado pela inocência, entrega-se ao descanso de mais um ano, aliviado pela harmoniosa sabedoria de Deus na formatação dos compassos do tempo.

A experiência mostra que ninguém consegue ser feliz se não está, mais ou menos, vinculado com a Natureza. E mostra, também, que as sensações instintivas das pessoas estão sendo caladas pelo uso impróprio dos instrumentos que compõem a modernidade, telefone celular, por exemplo. 

Contudo, os suaves murmúrios primaveris fazem muita gente levantar a cabeça e sentir que seu verdadeiro mundo é o que está vinculado à obra pura, harmoniosa e completa, que Deus entregou para nela vivermos. E, para comprovar sua generosidade, sabedoria e afeto pelos seres vivos e respeito pelos inanimados, construiu a primavera e colocou nela os passarinhos como seu principal adorno.

Além disso, a primavera merece a dádiva da luz. Por causa dela animam-se as sementes guardadas no chão ou nos organismos dos seres vivos, libertando os caminhos da perpetuação das espécies.  Ela propõe a todos a celebração da vida e dos mistérios do universo, colocados à disposição dos seres humanos como exercício de humildade e calibração realista de seu tamanho.

Nesse particular, o preâmbulo de novas vidas e de antessala mobiliada com peças do otimismo, é festejado pelo colorido das flores, que se apresentam como tributo de união e glória, coroando, com ardor, a estação mais bonita do ano. 

 

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