Está acontecendo algo de errado na relação deste ano entre a primavera e o canto dos passarinhos. Alguns dizem que a causa está na baforada de meias verdades proclamadas por políticos durante a campanha eleitoral que agora, felizmente, foi consideravelmente encurtada.

O vigor de nossos tempos atuais, não parece estar sendo muito perturbado pelo jogo de agressões entre grupos partidários que deveriam dar exemplo de boa conduta e integridade moral. O medo de que o Brasil nunca teve um presidente tão ruim como terá a partir do ano que vem (se tudo que um diz do outro for verdade), não combina com a suavidade do apelo pela paz e a decência que a natureza gramadense nos propõe. E é mau prenúncio que o desencanto está desembocando em repúdio nacional, levando milhões de pessoas a não irem às urnas ou indo só para anular o voto, mostrando sua inconformidade com o sistema que cheira tão diferente das flores.

A cidade mais florida do Rio Grande, agora ficando mais bela pela organização das placas de propaganda, deu abrigo ao ninho dos passarinhos, ficando assim, mais sedutor olhar as vitrines, acompanhar os preparativos do Natal, sorrir e tratar bem os turistas que estão chegando.

As campanhas eleitorais são como a cerração que borra nossas belezas, mas passa logo. Os passarinhos guardam seu canto para depois e a primavera acumula os aromas que fabrica para perfumar o ano e entusiasmar as abelhas. Quem não deve nada para ninguém, lamenta o desperdício que é feito de tempos tão especiais, onde a riqueza do espírito humano é rebaixada por amostras de inverdades, má intenção e desonestidade planejada, explícita e impune.  E de tanto estar em más companhias, nem os homens públicos honestos são levados a sério.

Depois da próxima etapa eleitoral, livres das aleijadas distrações cívicas que nos atormentam, vamos libertar as plantas, os pássaros e a serenidade que nos dá a honestidade que praticamos. Pediremos aos passarinhos que voltem a cantar e lhes diremos que o nosso canto é o de não sermos iguais àqueles que os fizeram calar e intimidaram a primavera.

 

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